Após anos de desoneração, o setor de Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) entrou em um processo gradual de retorno da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de salários, o que altera de forma direta a estrutura de custos das transportadoras.
Trata-se de uma mudança inevitável, com efeitos progressivos até 2028. Daqui pra frente, a sustentabilidade do negócio passará a depender menos de postergações fiscais e mais de planejamento tributário, eficiência operacional e controle rigoroso de custos.
O que é a reoneração da folha de pagamento?
A reoneração da folha é o processo de retorno gradual da Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) sobre a folha de salários, que havia sido substituída, para alguns setores, pela Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB).
Durante o período de desoneração, empresas de TRC recolhiam um percentual menor sobre o faturamento em vez de contribuir diretamente sobre a folha. Com a nova legislação, esse modelo passa a ser encerrado de forma progressiva.
O que muda, na prática?
De forma objetiva, o governo decidiu encerrar a desoneração gradualmente. As transportadoras passam a pagar 20% de INSS sobre a folha de salários em vez do imposto reduzido sobre o faturamento. A mudança será feita seguindo um cronograma de transição que exige atenção contínua da área financeira e de custos.
O contexto histórico: por que o TRC foi desonerado?
O Transporte Rodoviário de Cargas foi incluído na desoneração com o objetivo de reduzir os custos operacionais, por ser um setor intensivo em mão de obra, com margens historicamente pressionadas por custos elevados de combustível, manutenção, pedágio, seguros e encargos trabalhistas. A desoneração buscava preservar empregos e manter competitividade.
A base legal da mudança
O processo foi estabelecido pela Lei nº 14.784/2023, que determinou o fim gradual da desoneração da folha de pagamento para diversos setores, incluindo o transporte rodoviário de cargas, restabelecendo de forma progressiva a incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre a folha de salários.
Posteriormente, a Lei nº 14.973/2024 ajustou esse processo após vetos e negociações no Congresso Nacional, definindo as regras da transição até 2028, com aumento escalonado da alíquota sobre a folha e redução proporcional da contribuição sobre a receita bruta.
Por que isso é crítico para o transporte de cargas?
O impacto da reoneração no TRC é significativo porque o setor combina três fatores sensíveis:
- alto volume de empregados CLT, especialmente motoristas;
- margens operacionais reduzidas;
- dificuldade histórica de repasse imediato de custos ao frete.
Sem ajustes operacionais, o aumento do custo trabalhista tende a pressionar diretamente a rentabilidade.
Como a reoneração ameaça a margem de lucro?
Estudos do DECOPE/NTC&Logística indicam que o impacto médio direto da reoneração é de aproximadamente 1,5% ao ano sobre o faturamento. Em 2026, o impacto acumulado pode chegar a 3%, o que representa até 60% do lucro médio do setor.
Para empresas que já operam no limite da margem, esse efeito compromete geração de caixa, investimentos e renovação de frota.
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A defasagem do frete e a inevitabilidade do repasse
O setor convive com uma defasagem média superior a 10% entre o frete praticado e o custo real da operação. A reoneração amplia essa diferença, tornando o repasse ao embarcador não apenas desejável, mas necessário para a continuidade do negócio.
Efeitos indiretos na cadeia de fornecedores
A reoneração não impacta apenas a folha das transportadoras, pois empresas que prestam serviços essenciais ao transporte rodoviário de cargas, como tecnologia da informação, segurança patrimonial, manutenção, facilities e serviços administrativos, também foram beneficiadas pela desoneração no passado e agora passam pelo mesmo processo de reoneração.
Com o aumento do custo trabalhista nesses setores, esses fornecedores tendem a reajustar contratos, mensalidades e serviços. Parte do impacto da reoneração chega à transportadora de forma indireta, incorporada nos custos de terceiros que sustentam a operação diária.
Então, veremos um efeito em cadeia, pois mesmo empresas que já operam com estruturas enxutas passarão a absorver aumentos que não estão apenas na própria folha, ampliando a pressão sobre o custo operacional total.
Quem será mais impactado?
Os efeitos não são homogêneos. Tendem a sofrer mais:
- transportadoras com grande número de motoristas CLT;
- empresas de pequeno e médio porte, com menor fôlego financeiro;
- operações que não conseguem renegociar frete no curto prazo;
- empresas com baixa maturidade em controle de jornada e custos.
Cronograma da reoneração no transporte de cargas (2025–2028)
A transição ocorre de forma escalonada:
| Ano | INSS sobre a folha | CPRB sobre a receita |
| 2025 | 5% | reduzida |
| 2026 | 10% | cerca de 0,9%* |
| 2027 | 15% | redução progressiva |
| 2028 | 20% | extinta |
* A alíquota da CPRB pode variar conforme enquadramento. Recomenda-se validação junto à Previdência.
O caso do 13º salário
Já o 13º salário não entra na regra de transição. Agora, ele segue com incidência integral de 20% de INSS, representando um custo imediato que precisa ser previsto no orçamento.
Estratégias de mitigação: como proteger a rentabilidade
Diante do avanço da reoneração, a preservação da margem exige decisões estruturais sobre custos, operação e modelo de gestão. O foco do gestor precisa estar em identificar onde é possível ganhar eficiência, reduzir desperdícios e absorver o aumento dos encargos sem comprometer a sustentabilidade do negócio.
Planejamento tributário e escolha do regime
A opção pela CPRB é feita no início de cada ano-calendário. Com a nova legislação, torna-se extremamente importante revisar o planejamento tributário, especialmente em grupos empresariais com múltiplos CNPJs e estruturas compartilhadas de folha.
Ganhos de eficiência e controle rigoroso de custos
Como a alíquota não pode ser alterada, o caminho é reduzir desperdícios operacionais, otimizar rotas, controlar jornadas e eliminar custos que passam a pesar ainda mais sobre a folha.
Impacto nos agregados e subcontratados
O aumento do custo de mão de obra também pressiona transportadores autônomos e terceiros. Isso exige renegociação de contratos e maior previsibilidade de custos para evitar desequilíbrios na operação.
Como a gestão logística Tracker ajuda a controlar custos nesse cenário?
Em um contexto de reoneração da folha, o controle de custos depende diretamente da eficiência operacional, por conta dos deslocamentos, paradas e tempo produtivo. A solução de Gestão Logística do Grupo Tracker com jornada do motorista permite mais previsibilidade, decisões seguras e redução no aumento da folha se transforme em perda de margem.
Situações que antes pareciam pontuais agora podem ser identificadas como padrões operacionais, permitindo ajustes de escala, rota e planejamento que reduzem custos trabalhistas sem comprometer a entrega.
Redução de horas extras
Com controle digital da jornada do motorista, a operação passa a contar com:
- registro automático de horas dirigidas, paradas e descanso;
- alertas personalizados de extrapolação;
- planejamento de jornadas compatível com a legislação.
Menos horas extras significam menos INSS, menos reflexos trabalhistas e maior previsibilidade de custo.
Prevenção de passivos trabalhistas
Horas não registradas podem se transformar em ações judiciais, multas e retroativos com encargos. A jornada digital gera histórico auditável, evidência confiável e conformidade com a Lei do Motorista.
Aumento de produtividade sem ampliar a folha
A tecnologia permite melhor uso do tempo disponível, reduz tempo ocioso e evita paradas desnecessárias. O resultado é mais entregas com a mesma estrutura de pessoas.
Previsibilidade de custo e precificação correta
Com dados reais de jornada, a empresa calcula custo por rota com mais precisão, evita prejuízos e embasa a formação de preço do frete.
Apoio ao repasse de frete
Dados objetivos fortalecem negociações com embarcadores, substituindo estimativas por números concretos.
Cenário futuro: o TRC até 2028
Até o fim da transição, a competitividade do Transporte Rodoviário de Cargas estará diretamente ligada à capacidade de adaptar a gestão de custos, profissionalizar processos e usar dados para tomada de decisão.
A reoneração redefine prioridades, como para empresas que se anteciparem terão mais fôlego para atravessar esse ciclo.
Conte com o Grupo Tracker para estruturar uma gestão logística mais eficiente, previsível e preparada para o novo cenário do TRC.