O Brasil transporta 84,3% do valor das suas cargas pelo modal rodoviário, uma participação muito superior à de outros modais de transporte, como o ferroviário, aquaviário, aéreo e dutoviário. E estamos falando das cargas de mais alto valor do país, como medicamentos, eletrônicos, máquinas, peças automotivas, entre outras. A dependência que se criou desse modal ao longo de décadas tem consequências importantes para quem opera frota.

Os números e dados deste artigo são do Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas, publicado pela ONTL (Observatório Nacional de Transporte e Logística) em parceria com a Infra S.A. em junho de 2026. Traduzimos esses dados para a realidade de gestores de frota, coordenadores de logística e gestores de risco.

Veja os principais destaques a seguir.

Quanto do Brasil passa pelas rodovias?

Compreender o tamanho da dependência rodoviária no Brasil exige olhar para além do volume bruto de mercadorias.

O gargalo do transporte: peso x valor da carga

Para entender o gargalo do transporte brasileiro, é preciso olhar para dois indicadores essenciais:

  • Volume/Peso transportado (TKU): o modal rodoviário responde por 68,5% de toda a carga que circula no país.
  • Valor financeiro das mercadorias (VKU): quando olhamos para o valor de mercado do que está sendo transportado, a dependência do caminhão salta para 84,3%.

O que essa diferença de quase 16 pontos percentuais significa? Significa que os produtos mais caros e de maior valor agregado do Brasil (como eletrônicos, remédios, industrializados e alimentos processados) dependem quase 100% das rodovias. Em outras palavras, os produtos caros ficam reféns do modal de transporte mais vulnerável.

Enquanto isso, as ferrovias (que são o segundo maior modal, com 15,1% do volume) ficam restritas ao transporte de commodities brutas de baixo valor por tonelada, como minério e grãos.

Um cenário único no mundo

O Brasil é o único país de dimensões continentais onde o modal rodoviário ultrapassa 60% do volume de cargas:

  • Brasil: > 60% no rodoviário.
  • Estados Unidos: 49% no rodoviário, 21% em ferrovias e 22% em dutos (Revista Ferroviária / FDC, 2024).
  • China e Rússia: distribuem suas matrizes logísticas de forma consideravelmente mais equilibrada.

A infraestrutura por trás dos números

Essa alta concentração de valor roda sobre uma malha viária com fragilidades estruturais severas. O Brasil possui 2.835.744 km de rodovias em operação, somando federais, estaduais e municipais. Desse total, 78,5% são rodovias municipais e vicinais, muitas sem pavimentação e fora do alcance de qualquer investimento estruturado. A malha federal efetiva, a que de fato está em uso, soma 74.677 km, e apenas 48,6% dela é pavimentada. O restante inclui trechos em leito natural, implantados e planejados, ou seja, rodovias que existem no papel, mas não no asfalto.

O impacto direto na gestão: na realidade, sua frota transporta a maior fatia da riqueza do país trafegando sobre uma malha que não foi projetada para esse volume e que recebe investimentos abaixo de suas necessidades diárias.

Ponte em estrada brasileira, passando por cima de rio, com tráfego de carros.

O que a concentração rodoviária significa para quem opera frota?

A alta dependência das rodovias aliada à fragilidade do asfalto influencia diretamente na planilha de custos do gestor. Quando analisamos os dados do Panorama ONTL 2026 sob a perspectiva de quem gerencia veículos, motoristas e mercadorias, surgem três impactos operacionais críticos:

1. Exposição a sinistros: o alto custo do fator humano

Entre 2017 e 2025, os sinistros com veículos de carga em rodovias federais custaram R$ 44,4 bilhões ao Brasil. Apenas em 2025, o prejuízo atingiu R$ 5,9 bilhões.

O dado mais alarmante, porém, é a desproporção dessa conta:

  • Participação na frota nacional: veículos de carga representam menos de 5%.
  • Participação em sinistros: estiveram envolvidos em 26,06% dos acidentes registrados pela PRF em 2025.

O fator comportamental domina as ocorrências

As falhas de condução superam com folga as falhas mecânicas ou de infraestrutura. Em 2024, as principais causas registradas pela PRF foram:

  • Reação tardia ou ineficiente do motorista: 159 ocorrências.
  • Ausência de reação: 697 ocorrências.
  • Velocidade incompatível: 640 ocorrências.

Visão prática do gestor: a maioria dos sinistros é evitável. Recursos como telemetria veicular (para identificar frenagens bruscas e excesso de velocidade), rankings de motoristas e alertas em tempo real eliminam o risco da “falta de visibilidade” sobre a condução.

2. Roubo de cargas: menor volume, maior prejuízo por evento

Em 2025, o Brasil registrou 8.570 roubos de carga, uma redução de 16,7% em relação a 2024 e uma queda acumulada superior a 35% desde 2020. No entanto, a queda nas ocorrências não significou alívio financeiro. O prejuízo direto foi de R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão com custos indiretos.

O motivo dessa conta não fechar é a seletividade do crime organizado:

  • Foco em cargas de alta liquidez: cargas de remédios, por exemplo, saltaram de 1,7% para 22,3% dos prejuízos entre o 1º tri/2025 e o 1º tri/2026 (nstech / Logweb).
  • Alvos prioritários: medicamentos, alimentos, combustíveis e eletrônicos lideram as ocorrências.

Visão prática do gestor: o roubo de cargas deixou de ser pulverizado para se concentrar em alvos e corredores específicos. Cargas de alto valor exigem gerenciamento de risco ativo: rastreamento inteligente, bloqueio remoto e integração contínua com gerenciadoras de risco.

Leia também: O efeito dominó no roubo de carga: o que acontece depois?

3. Custo operacional inflacionado: combustível e asfalto ruim

A dependência rodoviária cobra um preço alto da operação através de duas variáveis centrais:

  • Vulnerabilidade energética: o diesel representa 82,15% do consumo energético do setor de transportes, somando quase 70 milhões de m³ consumidos em 2025. Qualquer oscilação no barril de petróleo ou na taxa de câmbio impacta imediatamente o frete.
  • Impacto do asfalto danificado: a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 revelou que 62,1% dos trechos pavimentados estão em condição regular, ruim ou péssima. Nas vias públicas, esse índice sobe para 64,4%.

A conta da malha viária ruim para a frota

  • +31,2% a +35,8% no custo operacional do transporte.
  • 1,2 bilhão de litros de diesel desperdiçados anualmente.
  • R$ 7,2 bilhões em custos operacionais adicionais diretos.

Visão prática do gestor: roteirizar sem considerar as reais condições da via acelera o desgaste de suspensão, freios e pneus, além de disparar o consumo de combustível. A combinação de otimização de rotas via dados com telemetria é a única barreira para conter esses custos invisíveis.

Estrada vazia com placa de limite de velocidade.

A frota que carrega o Brasil: perfil e fragilidades

Em 2025, o RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, mantido pela ANTT) registrava 2,8 milhões de veículos de carga. Vale a pena observar a composição dessa frota para entender como isso afeta a operação do setor inteiro.

Das empresas registradas:

  • 66% dos veículos pertencem a ETCs (Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas), que operam com idade média de frota de 9,8 anos.
  • 32,6% da frota pertence aos TACs (Transportadores Autônomos de Cargas), que operam veículos com idade média de 23,1 anos.

Veículos com mais de duas décadas de uso consomem mais combustível, emitem mais poluentes e apresentam risco maior em segurança viária. Para o gestor de risco de uma empresa que contrata transportadores autônomos, essa informação é diretamente relevante: o perfil da frota terceirizada impacta o risco operacional e influencia as condições de cobertura securitária da carga.

Sobre a distribuição geográfica das frotas:

  • Sudeste: concentra 310.243 TACs e 102.760 ETCs.
  • Sul: concentra 132.587 TACs e 69.744 ETCs.

Juntas, as duas regiões respondem pela maioria absoluta da frota registrada, o que faz sentido dado o peso dessas regiões nos fluxos logísticos do país.

O que acontece nas rodovias onde a sua carga circula?

Os corredores logísticos do Brasil são rodovias específicas, com volumes de tráfego mensuráveis e riscos documentados.

Gargalos de tráfego e concentração de roubos

O pico de tráfego nacional em 2025 foi registrado nos trechos da BR-040 e da BR-101 no Rio de Janeiro, alcançando 142.109 veículos de VMDa (Volume Médio Diário Anual), segundo o PNCT.

Essas mesmas artérias viárias lideram os índices de criminalidade contra o transporte de cargas:

  • BR-101: Respondeu por 21,6% dos prejuízos com roubo de carga no 1º trimestre de 2026 (nstech / Alisat).
  • BR-116: Concentrou 13% dos prejuízos no mesmo período.

Os corredores críticos do escoamento nacional

Os eixos de maior relevância econômica do país coincidem justamente com as rotas de maior exposição a acidentes e roubos:

  • Centro-Oeste ➔ Arco Norte: escoamento pesado de grãos.
  • Eixo Sudeste ➔ Porto de Santos: concentração de carga conteinerizada e alto valor agregado.
  • Corredor Belo Horizonte ➔ Rio de Janeiro: escoamento de minério e carga geral.

Quem opera nessas rotas enfrenta uma combinação perigosa: tráfego pesado, saturação de frotas e presença constante de quadrilhas especializadas.

Sem monitoramento em tempo real e gestão de risco estruturada, a operação fica sem informação nos trechos onde a informação mais importa.

Visão aérea de conjunto de estradas brasileiras.

Monitoramento, gestão logística e gestão de risco: o que cada um resolve

Existem três camadas de controle que respondem às pressões do transporte rodoviário. Entenda como cada uma pode aumentar significativamente a segurança de uma operação de transporte:

Monitoramento de frota (gestão logística)

O monitoramento de frota consiste no acompanhamento da operação em tempo real. Com essa tecnologia, o gestor sabe onde cada veículo está, como está sendo conduzido (velocidade, frenagens, acelerações, consumo), se as rotas planejadas estão sendo cumpridas e onde estão os gargalos de produtividade.

O foco é eficiência operacional: reduzir custo por quilômetro, cumprir prazo e identificar ineficiências na operação.

Gestão de risco

A gestão de risco trata da antecipação de problemas, ou seja, o uso de sensores de carga, alertas de desvio de rota, alertas de violação de compartimento (porta aberta fora de hora, desengate de carreta, variação de temperatura em carga refrigerada), bloqueio remoto e botão de pânico.

O foco é prevenir perda: enxergar o risco antes que ele vire prejuízo e agir rápido quando algo sai do previsto.

Recuperação veicular

Tecnologias de recuperação veicular localizam e recuperam o veículo depois que o roubo já aconteceu. As soluções mais modernas como as do Grupo Tracker, utilizam tecnologia de rastreamento por radiofrequência (RF), equipes de pronta-resposta e operações coordenadas com forças de segurança.

O foco é minimizar o dano quando o evento já ocorreu.

Essas três camadas se complementam, e a escolha depende do perfil de risco da operação. Uma frota que transporta carga de alto valor em rotas do Sudeste precisa das três. Uma operação de distribuição urbana pode começar por monitoramento e gestão logística. Quer saber qual solução é a ideal para a sua operação? Entre em contato com o time Tracker.

O Brasil depende das rodovias. Sua operação está preparada para os riscos?

Frente a todos os riscos de depender do modal rodoviário, as operações de transporte precisam estar bem-preparadas para operar com o máximo de eficiência e segurança. O Grupo Tracker atua há mais de 25 anos com o setor de transporte, com soluções que aumentam a segurança dos veículos e melhoram a eficiência das operações logísticas.

Oferecemos soluções nas três principais frentes:

  • Recuperação de Veículos Roubados: somos referência em rastreamento e recuperação veicular no Brasil, contamos com mais de 80 equipes terrestres e 6 equipes aéreas distribuídas por todo o Brasil, e coordenadas pelo nosso Centro de Operações (COG).
  • Gestão Logística: com monitoramento via GPS 4G e telemetria embarcada, o gestor tem acesso a dados valiosos da operação que permitem otimizar rotas e reduzir custos operacionais.
  • Gestão de Risco: evite os riscos com tecnologia de monitoramento e alertas que permitem ação rápida e geram relatórios que alimentam a próxima decisão.

Se 84,3% do valor das cargas brasileiras passa pelas rodovias, e se os dados mostram que sinistros, roubos e custos operacionais pressionam quem opera nesse modal, a conclusão é que a operação precisa de visibilidade sobre a frota, controle sobre os riscos e capacidade de resposta quando algo foge do previsto.

Quer saber qual combinação de tecnologias é ideal para a sua operação? Faça um orçamento.

Fonte:

INFRA S.A. Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil. Brasília, DF: Observatório Nacional de Transporte e Logística – ONTL, 2025.

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