O estado das estradas é um fator que afeta a produtividade da operação logística e, consequentemente, os custos da operação. Uma estrada em más condições pode aumentar tanto o consumo de combustível quanto o risco de acidente, além de outros fatores. O que o gestor pode fazer diante disso?

Neste conteúdo, trazemos informações sobre como medir esses custos na sua operação e como agir diante de um cenário que, a princípio, parece totalmente fora do controle do gestor.

Como a infraestrutura rodoviária afeta a produtividade da frota?

Um caminhão que trafega por uma rodovia em más condições pode gastar mais combustível, quebrar mais, andar mais devagar e correr mais riscos, tudo ao mesmo tempo. E todos estes fatores têm impacto na produtividade de uma operação logística.

Por produtividade, devemos entender o quanto a frota produz com o que já tem, considerando o quilômetro rodado útil (a distância que gera receita, não a que se perde fazendo desvios), o número de viagens que o mesmo caminhão fecha no mês, o tempo de ciclo entre a saída, a entrega e a volta do veículo disponível, e a disponibilidade da frota.

A estrada mexe em todos esses indicadores, e é possível separar o impacto em cinco frentes:

  • Consumo de combustível: uma via ruim exige mais combustível pelo mesmo trajeto.
  • Desgaste e disponibilidade da frota: o veículo se desgasta mais rapidamente, e passa mais tempo em manutenção.
  • Tempo de viagem e velocidade média: a necessidade de fazer desvios ou andar mais devagar alonga o ciclo do transporte, reduzindo o número de viagens.
  • Sinistro na estrada: o maior risco de acidentes que podem tirar veículo, carga e motorista da operação.
  • Jornada do motorista: a falta de estrutura na rodovia pode complicar o descanso e a parada do motorista.

Como estão as rodovias brasileiras hoje?

As rodovias brasileiras melhoraram em 2025, sobretudo nas estradas concedidas, mas a maior parte da malha segue longe do ideal, e a operação de transporte depende quase inteiramente dela. No Brasil, o transporte é majoritariamente rodoviário: os caminhões movimentam 68,5% de tudo em tonelada-quilômetro e 84,3% em valor, segundo o Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas (ONTL/Infra S.A., 2026). Para a maior parte da carga no país, rodar significa depender de estrada, sem alternativa em escala que substitua o caminhão.

A qualidade dessa malha, porém, é desigual. Na Pesquisa CNT de Rodovias 2025, que avaliou 114.197 km, só 37,9% da extensão aparece em estado ótimo ou bom. Os outros 62% estão entre regular, ruim e péssimo. Houve avanço frente a 2024, quando 26,6% da malha estava em estado ruim ou péssimo, contra 19,1% agora. Esse ganho, segundo a CNT, veio sobretudo das novas concessões: nos trechos concedidos, a extensão em estado ruim ou péssimo caiu 61,6% em um ano, enquanto a malha pública, que responde pela maior parte da rede, avançou bem menos. Mesmo assim, quem roda está dependendo de uma malha regular ou pior.

  • Boa parte da malha nem é pavimentada: a rede municipal responde por 78,5% da extensão total e concentra as vias sem asfalto, enquanto a malha federal, mais estruturada, é só 2,7% do total (Panorama ONTL/Infra S.A., 2026).
  • A geometria da via também trava a operação: a CNT identificou 2.146 pontos críticos na malha, com predomínio de pista simples, curvas mal dimensionadas e falta de acostamento.

Na média, a frota roda mais tempo em via regular ou pior do que em via boa. É sobre essa base, mais regular do que ótima, que a produtividade da frota é afetada.

Foto aérea de infraestrutura rodoviária brasileira, rodovia passando por cima de lago.

Estrada precária consome mais combustível?

Sim, e a diferença é notável, especialmente porque o combustível é a maior linha de custo variável de quem roda. Em pavimento irregular, o caminhão freia e acelera o tempo todo, enfrenta mais resistência ao rolamento e perde rendimento de motor, então o mesmo trajeto consome mais diesel.

De quanto é esse consumo extra?

Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, o mau estado do pavimento aumenta o custo operacional do transporte em 31,2% na média nacional. Só de diesel queimado à toa por causa da má conservação, o país gasta 1,2 bilhão de litros a mais por ano, o equivalente a cerca de R$ 7,2 bilhões que saem da operação.

Diante disso, parte do que o gestor trata como “diesel caro” tem relação com o desperdício causado por uma via em mau estado. E, diferente do valor do combustível, essa parcela de gasto é possível de manejar com gestão de rota e de condução.

Desgaste da frota: manutenção e disponibilidade

O segundo ponto é o desgaste físico do veículo, que traz dois custos: o de reparo do caminhão, e o de tempo que ele fica parado sem poder rodar. Os componentes que mais sofrem em uma via em mau estado são:

  • Pneus: desgaste irregular e cortes por impacto.
  • Suspensão e amortecedores: absorvem direto a pancada dos buracos.
  • Alinhamento e direção: saem de ajuste com a trepidação constante.

E um detalhe: pneu descalibrado e suspensão em mau estado também aumentam o consumo de diesel.

Tempo de viagem e velocidade média

Pista simples, trechos em obra, desvios por causa de buracos, curvas mal planejadas, são problemas que também pesam contra a produtividade das operações pois diminuem a velocidade média do caminhão. Velocidade média mais baixa alonga o tempo de ciclo, o intervalo entre sair, entregar e voltar disponível, e isso significa menos viagens por caminhão no mês.

Além disso, um trajeto que deveria ser feito em um dia, é feito em um dia e meio, e isso custou mais diesel, mais uma diária do motorista, adiou a carga seguinte e prendeu um veículo que poderia estar em outra rota. São várias perdas para a operação.

A aqui, temos a seguinte visão: se a má qualidade das estradas for tratada somente como “custo”, o gestor tende a repassar ao frete ou absorver na margem; quando é tratada como perda de produtividade, o problema ganha outro sentido, pois a produtividade perdida não é recuperada.

Estrada brasileira com veículos trafegando no horizonte, com plantações na lateral.

Quando a estrada vira risco: sinistros no transporte de cargas

O sinistro é o caminho mais caro por evento e um dos mais ligados à estrada. A via em más condições monta o cenário perfeito de risco, com pista simples, falta de acostamento e sinalização apagada, mas o gatilho do acidente costuma ser o comportamento ao volante. De acordo com dados do Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas, mesmo representando apenas 5% da frota nacional, os veículos de carga estiveram envolvidos em 26% dos sinistros registrados em rodovias federais em 2025.

E as principais causas desses acidentes são comportamentais, como por exemplo, velocidade incompatível com a via ou falta de reação adequada do motorista. E a questão comportamental pode ser gerida; o gestor pode reduzir os riscos de sinistros ao agir sobre quem dirige e como dirige:

  • Política de direção segura: deixar claro o que a empresa espera na estrada, de forma constante, e não só depois que algo dá errado.
  • Capacitação do motorista: formação continuada, em vez de cobrança pontual.
  • Acompanhamento de velocidade e condução em tempo real: enxergar um excesso de velocidade ou uma sequência de frenagens bruscas enquanto a viagem acontece, o que permite agir antes que vire acidente.

Pontos de parada e descanso: a infraestrutura de apoio

A Lei do Motorista (Lei nº 13.103/2015) e o Código de Trânsito limitam a direção contínua a cinco horas e meia e obrigam paradas para descanso. Quando a rodovia não oferece infraestrutura de apoio adequada com pontos de parada e descanso, o motorista precisa perder tempo procurando um lugar seguro, ou acaba seguindo viagem, mesmo cansado.

A estrutura de apoio ainda é pequena para o tamanho da malha. Em dezembro de 2025, a rede certificada de Pontos de Parada e Descanso reunia 179 estabelecimentos, com 13.861 vagas, distribuídos por 22 estados e 44 rodovias federais, segundo o Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas. É uma política que avançou, mas ainda cobre pouco.

E o cenário fica ainda mais preocupante quando se observa a distribuição destes pontos. A oferta se concentra no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, com o Rio Grande do Sul reunindo 2.776 vagas, enquanto muitos estados ficam com uma fração disso.

Ter ou não parada segura depende diretamente de onde a sua frota roda, e é possível lidar com esse cenário de duas maneiras:

  • Planejar a rota já pensando no descanso: montar o trajeto considerando onde existe parada segura.
  • Acompanhar a frota para apoiar o motorista: saber onde o veículo está permite ajudar na hora de resolver a parada, remanejar quando o ponto previsto está cheio ou orientar o próximo trecho.

Por isso o descanso do motorista também entra na conta da produtividade, e não só na do cumprimento da lei: uma parada bem planejada mantém a jornada rendendo, enquanto a parada improvisada faz o motorista perder tempo e, muitas vezes, aumenta o risco na via.

Como proteger a produtividade da frota diante da má infraestrutura

A condição das estradas é algo fora do alcance do gestor, mas é possível atuar sobre a exposição a essas vias quando se tem informação sobre a operação.

Com soluções de gestão logística que envolvem monitoramento é possível recuperar o controle e ter acesso a dados valiosos sobre rotas, paradas, consumo, localização, comportamento do motorista, além de disparar alertas que permitem agir na hora. É com base nesse tipo de informação que o gestor consegue tomar decisões que vão minimizar as perdas de produtividade mencionadas.

Gestão Logística Tracker: monitoramento que devolve controle à operação

A Solução para Gestão Logística do Grupo Tracker é a frente que dá esse controle à frota, com foco em produtividade pela visibilidade da operação. Ela proporciona ao gestor informações que ajudam a reduzir o consumo, cuidar da disponibilidade e acompanhar a condução, atacando exatamente essa exposição à estrada.

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