O frete rodoviário de cargas no Brasil opera com uma defasagem média de 10,1% em relação aos custos reais de operação. O dado indica que os valores cobrados pelo frete não acompanham o que custa, de fato, colocar um caminhão na estrada.

Parte dessa pressão vem de fatores que o gestor de frota não controla. Outra parte, porém, está dentro da operação e ainda pode ser trabalhada com dados e tecnologia. Continue a leitura e entenda mais sobre essa realidade do transporte de cargas e saiba como diminuir os custos utilizando tecnologia de gestão de frotas.

A defasagem de 10% no setor do transporte de cargas

O levantamento da NTC&Logística, feito pelo DECOPE (Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas), indica que o frete praticado no mercado está, em média, 10,1% abaixo dos custos reais apurados pela entidade. O diagnóstico é de início de 2026, mas a pressão acumulou ao longo de meses.

O maior custo das operações é o diesel, que pode representar entre 35% e 50% do custo operacional das transportadoras, chegando a 70% em algumas operações. Em março de 2026, o diesel S10 registrou alta de 16% em relação ao mês anterior, saindo de cerca de R$ 6,25 por litro em fevereiro para R$ 7,09 em março, segundo levantamento da ANP. No início de abril, o IPC.MLog da MundoLogística já registrava R$ 7,46 por litro.

Além do combustível, outros fatores ajudam a aumentar estes custos: a aquisição de novos caminhões ficou 23,3% mais cara no acumulado de 36 meses; a mão de obra subiu 20,2% no mesmo período; e o setor ainda enfrenta os efeitos da reoneração da folha de pagamento, dos novos custos com seguros obrigatórios (Lei 14.599/23), e da taxa Selic em 15% ao ano, que encarece o financiamento das operações.

Balança mostrando defasagem no transporte de cargas, pendendo pro lado dos custos.

Os fatores que o gestor não controla

O preço do diesel é definido pelo mercado internacional e pela política de preços da Petrobras. Tributação, como a reoneração da folha e as mudanças da Reforma Tributária com a LC 214/2025, segue o ritmo das decisões regulatórias. O custo de aquisição de caminhões acompanha a indústria automotiva, a taxa de câmbio e os juros. A escassez de motoristas qualificados é uma questão estrutural do setor. Nenhum desses vetores está na mesa do gestor de frota.

Reconhecer isso é importante para saber onde focar energia e onde ela de fato produz resultado. A conta do frete tem duas metades:

  • Uma que segue o mercado
  • Outra que depende de como cada empresa opera sua frota.

Os fatores que podem ser trabalhados com tecnologia

Consumo de combustível por motorista, eficiência de rota, tempo com motor ligado sem deslocamento, controle de abastecimento, produtividade da frota como um todo: esses são custos internos que variam de acordo com a gestão (e eles variam bastante).

Estudos oficiais conduzidos em laboratório de energia e validados pelo Alternative Fuels Data Center (AFDC) comprovam que o comportamento agressivo do condutor (acelerações rápidas, excesso de velocidade e travagens bruscas) reduz a economia de combustível em 15% a 30% em autoestradas e de 10% a 40% no trânsito urbano de anda-e-para.

Rotas mal planejadas adicionam quilômetros desnecessários, desgastam os pneus antes do tempo e comprometem janelas de entrega.

Esses pontos podem ser manejados pelo gestor, e a telemetria veicular é a ferramenta que torna isso possível.

O que é a telemetria veicular?

Telemetria veicular é a coleta e transmissão de dados do veículo em tempo real:

  • Localização
  • Velocidade
  • Rotações Por Minuto (RPM)
  • Consumo de combustível
  • Temperatura do motor
  • Acelerações
  • Frenagens
  • Curvas

É um tipo de monitoramento que vai muito além de informar apenas onde o veículo está, fornecendo dados sobre como ele está sendo operado.

Com esse tipo de tecnologia, o gestor fica muito mais informado para tomar decisões embasadas em dados (e não em estimativas). Em vez de supor que determinado motorista consome mais, ele tem possui dados; em vez de tentar descobrir quais rotas podem ser otimizadas, ele calcula o custo real por quilômetro rodado, por motorista, por trajeto.

Combustível: como a telemetria age sobre o maior custo da operação

Com o diesel custando cada vez mais caro, qualquer margem de ineficiência no consumo representa ainda mais dinheiro saindo da conta. Nesse sentido, a telemetria pode ajudar o gestor em duas frentes: o comportamento do motorista ao volante e o controle do que entra no tanque.

Como o comportamento do motorista afeta o consumo?

Acelerações bruscas, frenagens intensas, excesso de velocidade e tempo com o motor em marcha lenta, sem o veículo se mover, são comportamentos que encarecem a operação de forma direta.

Um caminhão em marcha lenta, parado com o motor ligado, consome em média de 2,5 a 3,5 litros de diesel por hora sem produzir deslocamento. Já o aumento da velocidade de cruzeiro de 80 km/h para 100 km/h aumenta o consumo de combustível em até 20%, segundo dados de engenharia automotiva divulgados pelo Guia do TRC. Esse salto ocorre porque a potência necessária para romper a resistência do ar dobra nessa faixa de velocidade, transformando o arrasto aerodinâmico no principal fator de desperdício de diesel nas rodovias.

A telemetria registra cada um desses eventos e os associa ao motorista responsável. O sistema mostra quantas acelerações bruscas aconteceram em um dia, quantos minutos o motor ficou ocioso em determinado período, e qual é o consumo médio de cada condutor por 100 km rodados. Com isso, o gestor identifica exatamente onde está o problema e pode agir de forma direcionada, com ações como treinamento específico, ajuste na política de frotas, revisão de escalas.

O papel do ranking de motoristas

O ranking de motoristas é uma aplicação prática dos dados de telemetria, na qual os condutores são avaliados e classificados por critérios objetivos como:

  • Consumo de combustível
  • Frequência de frenagens bruscas
  • Velocidade média
  • Cumprimento de rotas planejadas

O objetivo não é criar um ambiente de pressão ou punição, mas dar visibilidade a motoristas que se destacam podem ser reconhecidos e servir de referência para o restante da equipe; os que apresentam desempenho abaixo do esperado recebem treinamento focado no que os dados mostram que precisa melhorar. Ao longo de semanas e meses, esse acompanhamento é capaz de mudar o perfil de condução da frota.

O Grupo Tracker oferece identificação de motorista e ranking de desempenho como parte das soluções de Gestão Logística, integrado ao monitoramento contínuo da operação.

Controle de abastecimento

A telemetria cruza dados de localização com os registros de combustível abastecido. Isso permite identificar abastecimentos realizados em postos fora do trajeto planejado, variações anômalas no consumo que podem indicar problema mecânico ou desvio, e diferenças entre o volume registrado e o que foi efetivamente consumido pelo veículo.

Sem esse tipo de controle, o abastecimento da frota fica nebuloso para o gestor. Ele sabe quanto foi gasto no total, mas raramente consegue identificar desvios específicos antes que eles se acumulem.

O Grupo Tracker acompanha o uso de combustível como parte da solução logística, tornando o controle de abastecimento um dado integrado à gestão da frota.

Como a otimização de rotas entra na conta

Uma rota mal planejada tem um custo direto, pois mais quilômetros rodados significam mais diesel consumido, mais desgaste de pneus, mais horas de trabalho do motorista e risco de perder janelas de entrega.

Pequenas e médias empresas que implementam otimização de rotas costumam reportar redução de 10% a 20% nos custos operacionais.

Uma rota eficiente também contribui para uma entrega no prazo, o que aumenta a chance de renovação de contratos.

Desvios de rota e o que eles custam para a operação

O impacto do desvio de rota funciona da seguinte maneira: pense em um caminhão com consumo médio de 30 litros por 100 km que percorre 50 km a mais por dia em rotas ineficientes e consome 15 litros extras.

Com o diesel S10 a R$ 7,09 por litro (referência de março de 2026, segundo a ANP), esse desvio representa mais de R$ 100 por dia, por veículo. Em uma frota de 20 caminhões, são mais de R$ 2.000 por dia, ou mais de R$ 60.000 por mês em combustível que não precisaria ser gasto.

O gestor sem sistema de rotas raramente consegue perceber e controlar esse custo de forma agregada pois ele aparece diluído no consumo mensal e raramente recebe um nome.

Relatórios e indicadores logísticos: como transformar dados em decisão de gestão

Gestor que usa telemetria acumula dados ao longo do tempo, e os indicadores logísticos (KPIs) são a ponte entre o dado bruto da telemetria e a tomada de decisão. É com base neles que o gestor decide quando renovar um veículo, qual motorista precisa de reciclagem, qual rota está sistematicamente acima do custo esperado e onde há desvio de abastecimento.

Principais indicadores logísticos a acompanhar

A telemetria permite acompanhar em tempo real e de forma histórica os seguintes KPIs:

  • Custo por km rodado: mede quanto a operação gasta, em média, para deslocar cada veículo por quilômetro. Permite comparar rotas, motoristas e períodos.
  • Consumo médio por veículo: identifica quais caminhões estão consumindo acima do esperado para seu perfil de uso e carga, sinalizando necessidade de manutenção ou ajuste de condução.
  • Tempo de ociosidade (motor ligado sem deslocamento): quantifica o consumo que não gera deslocamento, um dos desperdícios mais fáceis de cortar com dados.
  • Taxa de cumprimento de rotas planejadas: mede com que frequência os motoristas seguem os percursos definidos, revelando desvios recorrentes que podem indicar rotas mal dimensionadas ou comportamento inadequado.
  • Pontualidade de entregas (SLA): relaciona o horário de chegada com o compromisso firmado com o embarcador. Atrasos sistemáticos em determinadas rotas ou motoristas ficam visíveis.
  • Eventos de direção agressiva por motorista: contabiliza frenagens bruscas, acelerações intensas e excesso de velocidade, permitindo comparação entre condutores e acompanhamento de evolução após treinamentos.

Raio-x de caminhão, mostrando todos os pontos que geram custos para o gestor, que podem ser melhor controlados com telemetria.

A solução: gestão inteligente de frotas

Acompanhar os indicadores é o primeiro passo. O segundo é saber o que fazer com eles, e é aqui que entra a lógica da gestão inteligente de frotas: em vez de reagir aos problemas cortando serviços, equipes ou capacidade operacional, o gestor usa dados para eliminar o que está desperdiçando recurso sem gerar resultado.

Boa parte do custo excessivo numa frota não vem do que a empresa faz, mas de como faz. Rota percorrida com mais quilômetros do que o necessário, motor ocioso acumulando horas, motorista com padrão de condução que drena o tanque antes do previsto, abastecimento sem cruzamento de dados. Nenhum desses pontos exige corte de serviço para ser resolvido, mas sim, visibilidade para saber onde e como agir.

Gestores que adotam esse modelo construir uma estrutura de custos mais previsível, sem comprometer prazos ou nível de serviço. E para isso, é preciso apoio de tecnologia em gestão logística, que permita gerenciar todos estes pontos.

O que o Grupo Tracker oferece para gestores

As soluções de Gestão Logística do Grupo Tracker foram desenhadas para resolver problemas relacionados a falta de visibilidade sobre rotas, motoristas e veículos. Nossa tecnologia de telemetria fornece dados que permitem atuar sobre problemas comuns como atrasos, custos acima do orçado, baixa produtividade e dificuldade de tomar decisões com segurança.

Com monitoramento completo em tempo real, dados detalhados sobre comportamento de motoristas, controle de rotas, cercas eletrônicas e relatórios integrados, o gestor passa a ter as informações necessárias para agir antes que o problema apareça na planilha do mês.

Se você quer entender como as soluções do Grupo Tracker se aplicam à realidade da sua operação, fale com nossa equipe. Nosso time está pronto para te ajudar a transformar dados em decisões inteligentes que cortam custos sem cortar serviços.

Relacionados