Você deixa o carro na rua para jantar, para ir a uma consulta ou a algum comércio que não possui estacionamento e passa as horas seguintes com aquela ponta de dúvida sobre segurança do seu veículo. A preocupação tem fundamento, pois em 2025, o Brasil registrou 308.440 roubos e furtos de veículos, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, portanto, faz sentido tomar todo o cuidado possível quando for necessário estacionar na rua.

Boa parte do risco de ter o carro furtado é definida por hábitos do motorista, como os critérios para a escolha da vaga, a verificação das travas e a definição do que fica à vista no painel ou nos bancos.

Carro cinza estacionado sob árvore em bairro residencial, ao lado de prédio.

Carro estacionado é o alvo preferido do furto

Furto é a subtração do veículo sem violência nem ameaça, e por isso é o crime típico do carro parado; o roubo envolve violência ou ameaça e costuma acontecer com o motorista presente. Quem deixa o carro estacionado na rua está exposto principalmente ao furto, que também é o mais frequente.

No estado de São Paulo, o 1º trimestre de 2026 teve 19.998 furtos de veículos contra 4.355 roubos, segundo a SSP-SP. Dá mais de quatro furtos para cada roubo. No país inteiro o padrão se repete. Em 2025 foram 203.949 furtos e 104.491 roubos de veículos, pelos dados do mesmo Anuário. Nas ocorrências atendidas pela operação do Grupo Tracker em 2025, o furto também aparece na frente, com 56,33% dos casos, contra 43,67% de roubos.

Como crime de oportunidade, o furto depende de três coisas:

  1. Tempo para agir;
  2. Discrição para não ser notado;
  3. Facilidade para abrir e levar o veículo.

Por isso, é importante adotar hábitos que interferiram em pelo menos um desses itens, dificultando a ação criminosa.

Como escolher onde estacionar na rua?

A escolha da vaga é o mais relevante, porque define quanto tempo e quanta privacidade alguém vai ter para mexer no seu carro sem ser incomodado.

Rua iluminada ajuda, mas movimento é mais importante

Escolher uma rua iluminada é o ideal, mas o que realmente afasta o furto é a combinação da iluminação com movimento de pessoas. Um estudo da FGV Cidades sobre a troca das lâmpadas por LED em São Paulo associou a modernização a uma queda de 36,9% nos furtos de celular à noite, mas os resultados para crimes envolvendo veículos foram menos consistentes.

Uma rua iluminada e deserta oferece ao ladrão quase a mesma tranquilidade de uma rua escura, com a diferença de que ele enxerga melhor o que está fazendo.

Rua deserta à noite com carro estacionado.

O que protege de fato tem nome no urbanismo: vigilância natural. É o efeito de ter olhos na rua sem que ninguém esteja ali com a função de vigiar, como portas e janelas voltadas para a calçada, comércio aberto e pedestres circulando. Quem tenta abrir um carro numa rua movimentada sabe que pode ser visto a qualquer momento, e isso costuma bastar para ele procurar outro alvo.

  • Vagas que costumam ser boas: em frente a portaria 24h, farmácia, restaurante movimentado ou ponto de táxi.
  • Vagas que costumam ser ruins: trecho com muro dos dois lados, fundo de terreno, rua sem saída, lateral de galpão fechado.

Pense também no horário da volta. A rua que está cheia às 19h, com a padaria e o salão abertos, pode virar uma rua deserta às 22h, quando você sair do restaurante. Escolha a vaga pelo movimento que ela vai ter enquanto o carro estiver ali, e não só pelo que você vê na hora de estacionar.

Esquinas, calçadas e vagas irregulares: o risco de voltar e não achar o carro

Estacionar em esquina, além de ser uma infração média (se for a menos de cinco metros do alinhamento da via transversal), é uma situação que traz mais insegurança por ser uma rota de fuga fácil para quem furta, porque o carro some do campo de visão da rua em segundos.

Já no caso de deixar o veículo estacionado em local proibido, cria-se a chance do veículo ser guinchado, algo que muita gente confunde com furto no susto de voltar e encontrar a vaga vazia.

Existe horário mais seguro para deixar o carro na rua?

Não exatamente. Levantamentos disponíveis apontam picos de ação criminosa diferentes conforme cidade, período e base de dados, o que mostra que o risco acompanha o lugar e a oportunidade, muito mais do que o relógio.

A Operação do Grupo Tracker em 2025 registrou que as ocorrências de roubo e furto se concentram entre 10h e 12h, horário de maior circulação e atividade comercial, e entre 18h e 22h. Quarta e quinta-feira lideram, com a quarta respondendo sozinha por 18,83% dos casos; sábado (11,58%) e domingo (10,62%) ficam abaixo. Dados da Polícia Civil do Distrito Federal (janeiro de 2019 a abril de 2021) registram pico de ação entre 12h e 19h, com terças e sextas como os dias de mais ocorrências.

Então, é melhor considerar a regra independentemente do horário: estacionar em local com movimento, visibilidade e nada que facilite o trabalho de quem está procurando um alvo.

Pessoa travando carro através do comando da chave.

O que conferir antes de se afastar do carro

Com a vaga escolhida, algumas conferências fazem toda a diferença na segurança do seu veículo:

  1. Confirme o travamento com os olhos e com a mão. Espere o pisca e o som do alarme automotivo e puxe a maçaneta para confirmar. No chamado “golpe do Chapolin”, o criminoso pode utilizar um aparelho que confunde o sinal do controle, então, quando você aperta o botão, o carro pode continuar destravado sem que você perceba. É uma variação do jammer, o bloqueador de sinal. Se o carro não travar, tente de novo, trave pela chave na porta se o modelo tiver essa opção ou mude de vaga.
  2. Feche vidros e teto solar por completo. Isso inclui a fresta deixada “para ventilar”, que dá acesso facilitado ao interior sem que ninguém precise quebrar nada.
  3. Não deixe nada à vista, nem vazio. Mochila, sacola, cabo de carregador, suporte de celular e moedas indicam que pode haver algo de valor, e a curiosidade de conferir já justifica um vidro quebrado. Guarde tudo no porta-malas antes de chegar ao destino, e não na vaga, onde alguém pode estar observando.
  4. Não deixe documento nem chave reserva no carro. O CRLV digital, disponível no app Carteira Digital de Trânsito, dispensa o papel no porta-luvas.
  5. Rebata os retrovisores. Retrovisor rebatido tem menos chance de sofrer algum dano com quem passa muito rente ao carro, e fica menos exposto ao furto da peça. Retrovisor quebrado e carro riscado estão entre os danos mais comuns para veículos que dormem na rua.
  6. Use trava física quando o carro passar a noite na rua. Os tipos e as diferenças entre eles estão no quadro logo abaixo.
  7. Evite adesivos que revelam rotina ou endereço. Adesivos no carro podem revelar muito sobre a sua rotina e família, como quantos filhos você tem, qual escola estudam, condomínio e qual academia você frequenta. Isso tudo conta para quem observa onde você mora e em que horários o carro fica parado.
  8. Olhe em volta antes de sair andando. Alguém parado sem motivo perto da vaga, ou acompanhando a sua manobra, é razão suficiente para trocar de lugar.

Leia também: Saiba como evitar roubo de carro: 10 dicas de proteção

Trava de volante, pedal ou roda: vale a pena?

Vale, principalmente para quem deixa o carro na rua à noite ou por vários dias. A trava física não impede o furto, mas custa tempo e chama atenção.

Tipo de trava O que ela impede Ponto fraco Quando faz mais sentido
Trava de volante Girar o volante e conduzir o carro Pode ser vencida com ferramenta de corte, embora isso gere barulho e tome tempo Uso diário, pela praticidade de colocar e tirar em segundos
Trava de pedal (pedal ou câmbio) Acionar pedais ou engatar marcha Fica abaixo da linha da janela, pouco visível de fora, e exige se abaixar para instalar Carro que dorme na rua, de preferência combinada com a de volante
Trava de roda A roda de girar e o carro de sair do lugar É a mais trabalhosa de colocar e tirar, e ocupa espaço no porta-malas Pernoites longos, viagens e carro parado por vários dias

Boa parte do efeito dessas travas vem da dissuasão. Diante de dois carros parecidos na mesma quadra, quem procura oportunidade tende a escolher o carro que não conta com a proteção desses acessórios.

Carros com chave presencial: o furto sem quebrar vidro

Carros com chave presencial (keyless), que destravam quando o dono se aproxima e ligam no botão, podem ser furtados sem nenhum dano aparente por meio do ataque de retransmissão, conhecido em inglês como relay attack.

Dois criminosos trabalham juntos: um fica perto de você ou da sua casa, captando o sinal da chave que está no bolso ou em cima de um móvel, e o outro fica ao lado do carro com um aparelho que retransmite esse sinal. O carro entende que a chave está por perto e abre. Em alguns casos, a ignição é liberada pela porta de diagnóstico (OBD), a entrada que as oficinas usam para ler os sistemas eletrônicos do veículo.

O ADAC, clube automobilístico alemão, testou mais de 700 modelos ao longo dos anos, e só cerca de 9% se mostraram mais bem protegidos, ou seja, aproximadamente 91% puderam ser abertos com esse método. Os que resistem usam chips de banda ultralarga (UWB), que medem a distância real entre a chave e o carro pelo tempo que o sinal leva para ir e voltar. O risco já aparece no preço do seguro: segundo a reportagem de O Tempo, um VW Polo com chave comum tinha seguro na faixa de 0,6% do valor do carro, enquanto a versão keyless ficava em 0,8%.

Se o seu carro tem chave presencial, estas medidas diminuem a exposição

  • Guarde a chave em capa ou caixa bloqueadora de sinal (as chamadas capas tipo Faraday), inclusive em casa. Ela corta o caminho do sinal enquanto a chave está guardada, mas deixa de proteger no momento em que você a tira de dentro.
  • Consulte o manual: alguns modelos permitem desativar a abertura por aproximação ou colocam a chave em modo de repouso quando ela fica parada por um tempo.
  • Pergunte à concessionária se o modelo usa UWB. É a tecnologia que, até agora, se mostrou mais resistente ao ataque.
  • Mantenha a chave longe da rua. Gancho na entrada da casa ou móvel colado à porta deixam o sinal ao alcance de quem está do lado de fora.

Moto na rua: cuidados que o carro não exige

A moto estacionada na rua exige mais atenção que o carro, porque é um veículo mais fácil de levar. No estado de São Paulo, janeiro de 2025 teve 3.091 roubos e furtos de motos, uma média de quatro por hora e alta de 12% sobre janeiro de 2024. Na operação do Grupo Tracker, as motocicletas foram a categoria com mais ocorrências em 2025, com 30,45% do total. Entre os modelos mais visados estão Yamaha XTZ, Yamaha FZ25 e Honda XRE (veja o ranking completo das 10 motos mais roubadas em 2025).

A diferença em relação ao carro está no peso. Uma moto leve pode ser erguida por duas pessoas e colocada num utilitário, por isso, só travar o guidão pode não ser suficiente para proteger contra o furto.

Os cuidados que mais ajudam:

  • Corrente ou cabo de aço até um ponto fixo: prenda a roda a um poste, grade ou paraciclo, o que impede que a moto seja simplesmente carregada.
  • Trava de disco, de preferência com alarme sonoro: deixe um lembrete visível no guidão (um elástico colorido já serve) para não sair andando com ela instalada.
  • Guidão travado e chave fora do contato, sempre: vale até para “uma paradinha” rápida na padaria.
  • Capacete e baú sem nada de valor: o que fica na moto chama atenção para ela.
  • Capa quando a moto passa a noite na rua ou em local visível: ela esconde o modelo, e quem procura um modelo específico precisa levantar a capa para conferir.

Para quem trabalha com entrega, variar os pontos de parada ajuda bastante, porque rotina previsível facilita a vida de quem observa o movimento da rua para escolher o alvo.

Voltou e o carro não estava lá? Saiba o que fazer

Mantenha a calma e siga esta ordem:

  1. Confira se o carro foi guinchado. Consulte o órgão de trânsito da cidade ou o app do Detran do seu estado antes de concluir que foi furto.
  2. Ligue 190. Informe placa, modelo, cor e o local exato onde o veículo estava.
  3. Acione a central de rastreamento, se o veículo tiver rastreador. Faça isso na hora, antes mesmo do boletim.
  4. Registre o boletim de ocorrência e avise a seguradora. Em muitos estados, o BO de furto de veículo pode ser feito online.

A primeira hora depois do furto é o período em que as chances de recuperação são maiores, por isso é importante agir rapidamente. Para o passo a passo completo, com documentos e prazos, veja: Seu carro foi roubado? Saiba o que fazer.

Rastreamento veicular: a proteção que continua depois do furto

Os hábitos deste texto reduzem bastante a chance de o seu carro ou a sua moto ser escolhido pelos criminosos, mas não impedem totalmente um furto. Quando isso acontece, o mais importante é a rapidez para localizar o veículo antes que ele chegue a um desmanche ou seja repassado.

Conheça a solução de rastreamento e recuperação de veículos Tracker e mantenha seus bens seguros

O principal objetivo da solução de Recuperação de Veículos do Grupo Tracker é aumentar as chances de recuperação do veículo furtado/roubado através de uma ação rápida e eficiente. O rastreamento funciona por radiofrequência e conta com uma rede mesh, que transforma os próprios equipamentos Tracker em antenas espalhadas, ampliando a cobertura em lugares onde o sinal chegaria fraco.

Se o criminoso tentar cortar a comunicação com um bloqueador de sinal, o sistema antijammer percebe a tentativa e alerta a central na hora.

Além disso, contamos com o Centro de Operações Tracker (COG), que coordena a pronta-resposta própria, com mais de 80 equipes terrestres e 5 aeronaves distribuídas pelo Brasil, atuando junto às forças de segurança.

É essa combinação de tecnologia e profissionais em campo que proporciona as maiores taxas de recuperação de veículos do país. A solução atende veículos particulares, com destaque para carros e motos de alto valor.

Se você já é cuidadoso ao estacionar seu carro na rua, o passo que falta é uma proteção que continue trabalhando quando o veículo já não está onde você deixou. Entre em contato com nosso time e saiba como proteger o que é valioso para você.

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