A cadeia logística global entra em 2026 assumindo um papel muito mais estratégico, agora, a visibilidade completa da operação e a capacidade de adaptação rápida a imprevistos são grandes apostas para o mercado atual.

Por isso, tecnologia, digitalização, uso de IA e automação são algumas das tendências para este ano. De fato, a transformação digital se tornou uma exigência do mercado, conforme a pesquisa da KPMG de 2024 confirmou: 87% das organizações conseguiram aumentar seus lucros com transformação digital nos últimos dois anos.

Além disso, não podemos deixar de mencionar os fatores geopolíticos e econômicos que também terão forte influência em fluxos comerciais nos próximos meses, o que coloca o Brasil num cenário muito mais competitivo.

Neste artigo, você irá conferir a análise completa feita pela Mariana Neto, Gerente de Inteligência de Mercado, Pricing e Produto, do Grupo Tracker, sobre as principais tendências na logística para 2026.

1. Inteligência Artificial como cérebro da operação

A IA é citada de forma unânime como base das operações em 2026, além de ser utilizada como ferramenta de análise, passa a atuar como núcleo da tomada de decisão em tempo real. Isso acontece devido a sua capacidade de analisar milhares de variáveis em tempo real, somando isso ao machine learning, torna-se capaz de tomar decisões práticas visando manter prazos, reduzir custos e aumentar a segurança das operações.

Algumas das aplicações práticas de IA (e machine learning) no setor incluem:

  • Previsão de demanda e planejamento: Modelos de IA analisam dados históricos de vendas, tendências sazonais, clima, mídias sociais e diversos fatores para prever demanda futura com muito mais precisão.
  • Videotelemetria 4.0: São câmeras com IA capazes de monitorar o comportamento do motorista, detectando sinais de fadiga, distração ou uso de celular ao volante. A tendência é que essa tecnologia se torne uma das principais aliadas na redução de acidentes e na preservação da vida. Ao emitir alertas sonoros imediatos para o condutor e notificações para a central de gestão, o sistema permite intervenções preventivas que evitam colisões e sinistros graves.
  • Manutenção preditiva: Sensores embarcados permitem o monitoramento de diversas variáveis como vibração, temperatura, consumo e desgastes. Com esses dados e algoritmos de machine learning, é possível prever falhas futuras, evitando-as.
  • Automação de tarefas administrativas: A tecnologia de IA também assume tarefas de cunho burocrático e administrativo ao permitir leitura automática de documentos para entrada de dados em sistemas, classificação de pedidos por prioridade, resposta inicial a clientes via chatbots, entre outros.
  • Roteirização dinâmica: Sistemas de IA trabalham com rotas dinâmicas e adaptativas, o que significa que a tecnologia é capaz de detectar congestionamentos, acidentes e obras em tempo real, analisar condições climáticas e riscos de segurança no trajeto e recalcular automaticamente a melhor rota para cada veículo.

Tendência logística 2026 uso de IA em rotas

Benefícios do uso da IA na cadeia logística

As aplicações de Inteligência Artificial na logística representam ganhos claros em várias frentes. Em 2026, os custos para adotar IA tornam-se significativamente menores do que os prejuízos causados pela sua falta.

Confira os principais benefícios:

  • Redução de custos operacionais diversos.
  • Entregas mais rápidas e previsíveis.
  • Maior disponibilidade e vida útil da frota.
  • Planejamento mais estratégico.
  • Tomada de decisão mais ágil.

De acordo com estudo realizado pela McKinsey, o uso de IA na gestão da cadeia logística apresentou números expressivos de melhoria para as empresas analisadas:

  • 15% de melhoria nos custos de logística.
  • 35% de melhoria nos níveis de estoque.
  • 65% de melhoria nos níveis de serviço (quando comparado a concorrentes que não adotam a tecnologia).

2. Hiperautomação e digitalização de processos logísticos

A combinação entre automação e digitalização de processos transforma a logística em um ambiente altamente coordenado, onde tudo opera de maneira sincronizada. Isso impacta, principalmente, na capacidade das operações de absorver picos operacionais e aumentar a previsibilidade.

Hiperautomação

O setor logístico está entrando de vez na era da hiperautomação, na qual robôs físicos, sistemas digitais, sensores e inteligência artificial operam de forma integrada, conectando o fluxo do pedido à entrega com muito mais velocidade, precisão e previsibilidade.

Os armazéns e centros de distribuição evoluem para smart warehouses, ambientes altamente automatizados, flexíveis e orientados por dados, onde robôs móveis autônomos (AMRs) dividem espaço com operadores humanos. Estas máquinas passam a assumir tarefas repetitivas de movimentação, separação e abastecimento interno, permitindo, por exemplo, que prateleiras inteiras sejam levadas até os colaboradores.

Tendência para logística, os smart warehouses com AMRs em movimentação de carga.

Digitalização

A digitalização dos processos logísticos é o que conecta toda a cadeia em plataformas integradas que passam a operar de forma orquestrada, garantindo visibilidade em tempo real de todas as etapas da operação. Somada à hiperautomação, essa tecnologia permite automatizar tarefas antes manuais, como:

  • Roteirização automática de cargas.
  • Conferência de documentos.
  • Auditorias de entrega.
  • Emissão eletrônica de documentos fiscais e aduaneiros.

Outro ponto importante são os ecossistemas colaborativos digitais, que são plataformas em nuvem que permitem que embarcadores, transportadoras e operadores compartilhem dados e informações críticas em tempo real. Isso torna a cadeia mais transparente, sincronizada e capaz de reagir rapidamente a mudanças de demanda, restrições operacionais ou eventos externos.

3. Sustentabilidade e logística verde (ESG)

A logística verde se firma de vez em 2026 como uma prioridade, alinhada às metas ambientais globais e às exigências de clientes e investidores. O conceito se refere à gestão das operações com foco na redução dos impactos ambientais, sem comprometer a eficiência.

As práticas ESG estão se tornando critério de escolha, ou seja, empresas e embarcadores querem cadeias comprometidas com redução de emissões e impacto socioambiental. Nesse contexto, multiplicam-se iniciativas de logística verde ao longo de toda a cadeia:

  • Frotas de baixo carbono: Cresce o uso de veículos elétricos e alternativos, especialmente na última milha verde (uso de veículos elétricos ou bicicletas para entregas urbanas). Grandes transportadoras investem em caminhões a gás natural ou biodiesel nas rotas de longo curso, enquanto testam-se tecnologias emergentes como motores a hidrogênio em projetos-piloto.
  • Otimização de rotas e eficiência energética: As ferramentas de roteirização inteligente apoiadas por IA também refletem na questão ambiental. Rotas otimizadas economizam combustível e reduzem a pegada de carbono, somando eficiência à sustentabilidade.
  • Embalagens sustentáveis e logística reversa: As embalagens eco-friendly, o uso de materiais reciclados ou biodegradáveis e o dimensionamento adequado para evitar volumes vazios reduzem resíduos e otimizam o espaço de transporte. Programas de logística reversa ganham força, facilitando a devolução e reciclagem de produtos e embalagens pós-consumo.

Tendencias para logística de 2026 incluem sustentabilidade e logística verde

Por que a sustentabilidade se tornou um pilar na logística brasileira?

A sustentabilidade, além da preocupação ambiental, também reflete em eficiência financeira e conformidade regulatória. A tendência mostra que, cada vez mais embarcadores priorizam parceiros logísticos que apresentam relatórios claros de emissão de carbono e utilizam frotas mais limpas.

4. Visibilidade da operação logística de ponta a ponta

Uma das tendências para 2026 é a visibilidade detalhada da operação logística, e o uso destas informações de forma proativa. Estamos falando da capacidade de enxergar, em tempo real, cada evento da cadeia, do pedido inicial à última milha, e transformar essas informações em decisões rápidas.

Transparência total ao longo da jornada

Tecnologias que permitem o monitoramento completo da operação, como atrasos, desvios, desempenho e indicadores contribuem para a redução de ineficiências clássicas da logística. Além disso, contribuem com a experiência do cliente, diminuindo drasticamente consultas do tipo “onde está meu pedido?”, que costumam afetar negativamente a percepção da marca.

Os grandes viabilizadores dessa visibilidade ampliada são os sensores, dispositivos de geolocalização e etiquetas inteligentes que monitoram veículos, cargas, equipamentos e infraestrutura em tempo real.

Isso inclui desde o rastreamento preciso de mercadorias até o controle de condições críticas, como temperatura, umidade, impactos, abertura indevida de compartimentos e permanência em áreas não autorizadas. Esses dados alimentam sistemas centrais continuamente, permitindo intervenções imediatas e decisões proativas.

Segurança e previsibilidade

A visibilidade integrada também melhora o nível de segurança logística. Cercas eletrônicas virtuais, alertas automáticos e monitoramento contínuo reduzem riscos de desvios, roubos e falhas operacionais, permitindo respostas rápidas antes que o problema se agrave.

Profissional de logística operando tecnologia de segurança logística via tablet.

5. Logística urbana e última milha inteligente

A logística urbana tem se consolidado como um dos maiores desafios operacionais e estratégicos da cadeia logística devido ao crescimento acelerado do e-commerce e à concentração populacional nos grandes centros. Neste cenário, a última milha (last mile) se transformou em um território complexo, caro e decisivo para a competitividade das empresas.

Entregar rápido nas cidades se tornou um fator direto de satisfação do cliente, reputação da marca e viabilidade econômica da operação. Para 2026, a tendência é que a última milha evolua para um modelo mais flexível, colaborativo e orientado por dados.

Confira algumas das tendências para otimizar o last mile:

  • Entrega ultrarrápida e Quick Commerce: A popularização das entregas no mesmo dia estão, aos poucos, se tornando o novo padrão esperado em vários segmentos. Alguns setores como supermercados e farmácias já aderem ao Quick Commerce, realizando entregas em menos de 1 hora em áreas metropolitanas.
  • Micro-fulfillment e hubs urbanos: Para ganhar velocidade e reduzir distâncias, as empresas investem em aproximar estoques dos clientes. Isso reflete na tendência dos centros de micro-fulfullment, que são pequenos armazéns dentro das cidades, que funcionam como hubs de distribuição rápida.
  • Entrega colaborativa: Plataformas digitais passam a orquestrar, em tempo real, múltiplos parceiros de entrega, combinando frota própria, transportadores terceirizados e modelos de crowdsourcing (tipo Uber/99/iFood) conforme a demanda. Essa elasticidade permite absorver picos sazonais sem perder controle de custo ou nível de serviço.
  • Tecnologia e experiência do cliente: Consumidores querem rastrear o entregador no mapa em tempo real e receber notificações proativas sobre sua encomenda. Para isso, empresas logísticas precisam contar com tecnologias capazes de realizar o monitoramento preciso, conectado a softwares capazes de enviar links de tracking ao cliente.

Profissional realizando last mile, ultima etapa da logística.

6. Valorização do profissional estratégico e analítico

A transição do setor de uma área predominantemente operacional para um eixo estratégico do negócio, traz mudanças radicais no perfil do profissional valorizado pelas empresas.

Com IA, automação e sistemas integrados assumindo tarefas repetitivas, o valor humano migra para onde a tecnologia não o substitui: a capacidade de analisar, decidir, conectar informações e gerar vantagem competitiva.

Do profissional que executa ao profissional que analisa

O profissional de logística passa a ser avaliado pelo quanto ele entende, interpreta e melhora a operação. Com a explosão de dados gerados pelos sistemas, sensores e plataformas, surge a demanda pelo profissional analista, capaz de utilizar ferramentas para identificar padrões, correlações e cenários futuros.

Esse novo nível de complexidade cria um desequilíbrio no mercado. A demanda por profissionais com visão analítica, domínio de dados e compreensão sistêmica cresce mais rápido do que a oferta. O resultado é uma escassez de talentos qualificados, que tende a impulsionar salários e aumentar a competitividade por bons profissionais.

Profissional do setor logístico realizando chamada pelo celular.

Fatores geopolíticos e econômicos que irão impactar a logística em 2026

Além das tendências tecnológicas e operacionais, o desempenho da logística em 2026 também será impactado por fatores econômicos e geopolíticos como mudanças estruturais globais e desafios internos.

Brasil em aquecimento econômico e os reflexos na logística

O Brasil está com uma taxa de desemprego baixa (5,2%), a menor registrada pelo IBGE desde 2012. Esse cenário pressiona salários, ao mesmo tempo que aumenta a dificuldade de contratação, reforçando a importância de automação, produtividade e melhor uso dos ativos logísticos.

A expectativa no mercado financeiro pela redução da taxa Selic ao longo de 2026 tende a facilitar o acesso ao crédito, estimulando investimentos em tecnologia, frota, armazéns e infraestrutura. Ao mesmo tempo, o agronegócio segue como um dos principais motores da economia, com previsão de safras recordes, especialmente de grãos. Esse cenário amplia a demanda por transporte de longa distância, armazenagem e escoamento eficiente da produção.

Geopolítica global: Brasil segue como porto seguro

No cenário global, o Brasil continua se destacando pela sua capacidade produtiva e abundância de commodities, o que favorece a entrada de investimentos e fortalece a posição do país como hub logístico regional na América do Sul. Projetos de infraestrutura, como corredores bioceânicos, expansão portuária e investimentos ferroviários, ganham relevância ao conectar o Atlântico ao Pacífico e facilitar o acesso a mercados asiáticos.

Reconfiguração das cadeias globais de suprimento

De acordo com o relatório Desafios de Inteligência, publicado em 2026 pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), a reconfiguração das cadeias globais de suprimento irá abrir novas oportunidades para o Brasil, colocando o país em uma posição favorável.

Estratégias de nearshoring e friend-shoring, adotadas por empresas que buscam reduzir riscos e aproximar fornecedores dos mercados consumidores encontram no país uma alternativa mais resiliente frente a rotas internacionais longas e instáveis.

Essa reconfiguração pode impactar em novas oportunidades no setor logístico, como:

  • Mais operações regionais.
  • Aumento do fluxo de cargas dentro da américa do sul.
  • Maior demanda por infraestrutura portuária, ferroviária e rodoviária.
  • Necessidade de operações mais integradas, visíveis e resilientes.

Imagem de carros em movimento em rodovia.

Um novo cenário exige uma logística mais inteligente

As tendências do setor para 2026 indicam que as empresas vão operar em um ambiente muito mais complexo e dinâmico. Todas as tendências se reforçam mutuamente em um cenário que exige decisões baseadas em dados e alta capacidade de adaptação.

Para operar com tranquilidade e eficiência nesse cenário, torna-se indispensável adotar tecnologias que ofereçam visibilidade, controle e inteligência operacional.

Operadores devem aproveitar ao máximo os dados de suas operações, transformando-os em ação. Tecnologias que permitam monitoramento em tempo real, definição e controle de rotas, cercas eletrônicas, telemetria da frota, análise de comportamento dos motoristas e geração de alertas automáticos é o que vai sustentar a eficiência diária do negócio.

Agora é o momento de evoluir sua operação logística com o Grupo Tracker

As soluções de Gestão Logística do Grupo Tracker se conectam diretamente a esse novo cenário, pois oferecem:

  • Monitoramento completo da frota em tempo real;
  • Controle inteligente de rotas;
  • Regras operacionais com alertas automáticos;
  • Telemetria avançada;
  • Relatórios detalhados;
  • E muito mais.

Nossa tecnologia permite que as empresas ganhem visibilidade, reduzam custos, aumentem a produtividade e tomem decisões mais rápidas e seguras, mesmo em operações cada vez mais pressionadas.

Empresas que investem em gestão, dados e tecnologia estarão mais preparadas para absorver picos de demanda, lidar com riscos, atender às novas exigências do mercado e transformar eficiência operacional em vantagem competitiva.

Comece hoje mesmo a preparar a sua operação para dominar o mercado em 2026 com o apoio da tecnologia líder de mercado do Grupo Tracker. Fale com nosso time e tenha uma operação que cresce com segurança, previsibilidade e inteligência.

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