Quem opera frota dentro da cidade tende a achar que o perigo do roubo de veículo está distante, focado em operações que atuam na estrada. Porém, dados da operação Tracker mostram que essa distância é ilusória, e que os gestores de frotas urbanas também precisam pensar na proteção da sua operação.

Segundo o levantamento realizado no Boletim Tracker FECAP sobre Roubo e Furto em São Paulo, as dez maiores cidades do estado concentraram 69,01% de todas as ocorrências de roubo e furto de veículos em 2025, um leve aumento em relação ao ano anterior, mesmo com queda geral nos índices estaduais.

Erivaldo Vieira, pesquisador da FECAP responsável pelo estudo, classifica o fenômeno como “hiperconcentração urbana”. O risco não está somente na estrada, está onde sua frota opera todos os dias.

O que os números mostram sobre roubo e furto de veículos em 2025?

São Paulo registrou queda de 11,43% no total de ocorrências em 2025: foram 88.544 boletins contra 99.968 em 2024. A queda foi mais intensa no roubo (-20,94%) do que no furto (-8,92%), e esse é um dado interessante para quem gerencia frota.

  • Roubo (Art. 157 do Código Penal) é o crime com violência ou grave ameaça à vítima.
  • Furto (Art. 155) acontece sem contato direto com a vítima, por método técnico.

Saiba mais: qual a diferença entre roubo e furto?

Para o gestor de frota, essa distinção é importante para entender como proteger sua operação. No roubo, o motorista está presente e aciona o gestor na hora. No furto, o veículo some sem que ninguém perceba, e o criminoso ganha horas de vantagem antes de qualquer reação ser possível.

O pesquisador Erivaldo Vieira resume a proporção com um dado que muda a leitura do problema: de cada dez veículos que somem, oito são furtados e dois são roubados. Por isso, projetar a proteção da frota com foco apenas no roubo é um erro, pois ignora a modalidade mais praticada entre os criminosos.

E, do ponto de vista operacional, o furto é mais difícil de detectar, dá mais tempo de fuga ao criminoso e tem menor taxa de recuperação quando não há rastreamento ativo.

A queda nos números gerais é positiva, mas não deve gerar complacência para quem opera com utilitários. Esse segmento, especificamente, não seguiu a tendência de baixa.

Por que utilitários e vans se tornaram o alvo preferencial?

Segundo do Boletim Tracker FECAP, no segmento de utilitários e carga leve (furgões, vans e VUCs), o total de ocorrências caiu 4,95% em 2025, passando de 6.369 para 6.054 casos. Esse número, isolado, parece confirmar a tendência geral de queda. Mas é importante notar o seguinte: o roubo recuou de forma acentuada, -21,48%, enquanto o furto ficou praticamente estável, com variação de apenas -0,22% (4.954 casos em 2024 contra 4.943 em 2025).

Em outras palavras, a queda no total do segmento é explicada quase inteiramente pela redução no roubo. O furto, que já é a modalidade mais frequente nesse tipo de veículo, não acompanhou essa retração. Para o gestor de frota urbana, isso significa que o risco não diminuiu, ele só trocou de forma: menos confronto e mais furto técnico, exatamente o tipo de ocorrência mais difícil de detectar a tempo.

Vitor Corrêa, gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, aponta que esse comportamento reflete uma especialização da ação criminosa. Enquanto os crimes de oportunidade e os roubos mais violentos diminuem, cresce uma modalidade mais técnica e direcionada, impulsionada pelas transformações econômicas e logísticas das áreas urbanas. O avanço do comércio eletrônico e dos serviços de entrega ampliou a circulação de utilitários, vans e VUCs, aumentando a exposição desse segmento e tornando esses veículos alvos mais frequentes dos criminosos.

Entregador last mile andando em direção à casa enquanto veículo de entrega permanece estacionado na rua.

Como o crime se reorganizou geograficamente nas grandes cidades

Na capital paulista, Santo Amaro registrou aumento de 14,72% nos furtos e se tornou o bairro com mais ocorrências em 2025, mesmo com uma queda expressiva nos roubos (-34,95%). A Zona Leste se consolida como epicentro, com Vila Matilde (+0,28%) e São Mateus (+1,90%) resistindo à tendência de baixa que prevalece em outras regiões.

Há um fator estrutural para esse deslocamento: os programas de vigilância eletrônica, como o Smart Sampa, têm cobertura geográfica limitada às regiões centrais e mais densamente monitoradas. Nas periferias, essa limitação cria janelas de operação para o crime.

O dado que ilustra a diferença de risco por região é revelador: nos bairros periféricos da Zona Sul, como o Grajaú, o roubo chega a representar 35% do total de crimes contra veículos, enquanto no Tatuapé esse percentual é de apenas 4%. Isso significa que o perfil de risco varia significativamente conforme a região de atuação da frota.

Nas cidades do interior, o cenário também exige atenção: Campinas (+2,1%), Sorocaba (+5,4%) e Diadema (+2,5%) registraram aumento total nas ocorrências (roubos e furtos) em 2025, puxados pelo crescimento nos furtos. Para empresas com frota que atende o interior paulista, esses dados têm impacto direto sobre onde e como proteger os veículos.

O impacto na operação de uma empresa com frota urbana

O prejuízo de um veículo furtado vai além do valor do bem. Para uma empresa com frota urbana, um furgão ou van é uma unidade de receita ativa, ou seja, quando some, tudo que dependia daquele veículo para no mesmo instante.

O efeito em cadeia é mais extenso do que parece no primeiro momento:

  • As entregas do dia ficam represadas sem destino
  • Outros veículos precisam ser remanejados com urgência, comprometendo suas próprias rotas
  • O cliente que aguardava a entrega precisa ser comunicado sobre o atraso
  • Em casos de roubo com presença do motorista, há impacto psicológico que pode tirar o profissional de operação por dias
  • Na renovação do seguro, a frequência de sinistros e a região de circulação pesam diretamente no cálculo do prêmio

Esse último ponto merece atenção: seguradoras utilizam o histórico de ocorrências e o perfil de risco da área de operação para precificar o seguro de frota. Uma empresa com histórico de sinistros em regiões de alto índice paga prêmio substancialmente maior. O rastreamento ativo tem efeito duplo nessa equação: aumenta a probabilidade de recuperação (reduzindo a chance de sinistro se tornar perda total) e pode resultar em desconto no prêmio, porque muitas seguradoras reconhecem que frotas monitoradas têm risco efetivo menor.

Entregador last mile dirigindo rumo à seu destino, com carga dentro do furgão.

Por que proteção urbana é diferente de proteção rodoviária?

A objeção mais comum do gestor de frota urbana é simples: “minha operação é local, não preciso de rastreamento avançado”. O raciocínio tem uma lógica aparente, mas ignora que o perfil de risco urbano é estruturalmente diferente do rodoviário, não necessariamente mais brando.

No transporte rodoviário, a rota é previsível, os horários são relativamente fixos e os pontos de vulnerabilidade são conhecidos. Na operação urbana, cada jornada é diferente: são múltiplas paradas em pontos novos, estacionamentos em via pública em regiões que podem variar dia a dia, veículos parados por longos períodos durante entregas em locais sem vigilância. Cada pausa é uma janela de vulnerabilidade.

Outras características específicas do risco urbano que ampliam a exposição:

  • Alta rotatividade de pontos de parada, o que dificulta criar histórico de segurança por localização
  • Veículos de menor valor agregado que, com frequência, não recebem proteção adicional
  • Zonas periféricas de entrega que ficam fora da cobertura de câmeras e sistemas de vigilância eletrônica municipal
  • Paradas prolongadas em vias públicas durante descargas e entregas

Frotas urbanas têm um perfil de risco específico que raramente é contemplado nas soluções padrão de mercado. A combinação de monitoramento em tempo real com capacidade de recuperação ativa é o que preenche essa lacuna.

Como o rastreamento e a recuperação veicular funcionam na prática

Quando um veículo some, o tempo é o fator mais crítico. Cada minuto que passa reduz a probabilidade de recuperação, porque o veículo vai se afastando da área de ocorrência e, nos furtos técnicos, pode ser rapidamente encaminhado para desmanche.

A solução de Recuperação Veicular do Grupo Tracker opera para minimizar esse tempo, aumentando as chances de recuperação do veículo. Para isso, utiliza a inteligência do COG (Centro de Operações e Gerência), que recebe alertas em tempo real e coordena mais de 80 equipes terrestres e 5 equipes aéreas distribuídas pelo Brasil. Isso significa que, mesmo numa ocorrência estritamente urbana, em horário comercial, existe capacidade de resposta ativa no campo, não apenas visualização de coordenadas num mapa.

Um diferencial técnico especialmente relevante para frotas urbanas é o Antijammer. Criminosos que atuam com planejamento usam jammers, equipamentos que emitem interferência eletromagnética para bloquear o sinal do rastreador. O objetivo é impedir que a localização do veículo seja transmitida nos primeiros minutos após o furto, exatamente quando a recuperação seria mais rápida. O sistema da Tracker detecta essa interferência e emite alerta imediato ao COG, permitindo reação mesmo antes de o veículo desaparecer do raio de cobertura. Para frotas urbanas, onde os jammers são cada vez mais comuns em furtos planejados de utilitários, essa detecção faz diferença prática no resultado da ocorrência.

Ao longo de mais de 25 anos de operação, o Grupo Tracker acumulou mais de 58 mil recuperações de veículos, com prejuízo evitado superior a R$ 4 bilhões. Esses números refletem a efetividade do modelo operacional, não apenas a tecnologia de rastreamento.

O que diferencia recuperação ativa de rastreamento simples?

Para muitos gestores, rastreamento significa “saber onde o veículo está”. Essa definição é o monitoramento um “rastreamento passivo”: a plataforma exibe a posição do veículo, e cabe ao gestor decidir o que fazer com essa informação.

Recuperação ativa é outra coisa, envolve inteligência operacional acumulada: histórico de rotas de fuga por região, padrões criminosos mapeados ao longo de décadas, pontos prováveis de desmanche. E envolve pronta-resposta física, não apenas transmissão de coordenadas para a polícia. A diferença prática para o gestor de frota é que com recuperação ativa, o veículo tem chance real de voltar à operação com agilidade, reduzindo o tempo de paralisia e o impacto na cadeia de entregas.

O que a empresa deve avaliar na proteção da sua frota urbana?

Antes de contratar qualquer solução de rastreamento e recuperação, vale avaliar quatro critérios concretos:

  • Cobertura por região de atuação: o sistema tem capacidade de resposta efetiva nos bairros onde a frota opera? , precisam de cobertura específica, não apenas presença nos grandes centros.
  • Resposta ao jammer: o rastreador continua transmitindo (ou emite alerta) quando criminosos tentam bloquear o sinal? Em furtos planejados de utilitários, o jammer já é equipamento padrão. Um rastreador sem detecção de bloqueio vira ponto cego exatamente quando mais importa.
  • Tempo de resposta das equipes de campo: rastreamento sem resposta física tem utilidade limitada quando o veículo pode ser desmontado em questão de horas. A pergunta relevante é quanto tempo leva para uma equipe chegar à localização transmitida?
  • Geração de alertas sem dependência de operador dedicado: para empresas com frotas de cinco a vinte veículos, sem departamento de segurança estruturado, a plataforma precisa gerar alertas que o gestor consiga acompanhar sem infraestrutura especializada.

Esses quatro pontos formam o conjunto mínimo de perguntas para qualquer fornecedor. A resposta a cada um deles revela se a solução foi desenhada para a realidade de quem opera frota urbana ou apenas adaptada do modelo rodoviário.

Rastreamento e seguro não são a mesma coisa, e nem se substituem

Uma confusão frequente entre gestores é tratar o seguro de frota como substituto do rastreamento. Os dois produtos existem para momentos diferentes do problema.

  • O seguro resolve o passado: indeniza o valor patrimonial do veículo após a perda definitiva. O processo é posterior ao evento, desprende de mais tempo e está sujeito a franquias, carências e avaliações que impactam na reposição do bem.
  • O rastreamento com recuperação ativa resolve o presente: age durante o evento para impedir a ação e tentar recuperar o veículo antes que a perda se concretize. Quando a recuperação acontece, o seguro nem precisa ser acionado.

São camadas complementares com funções distintas. Uma empresa pode ter os dois; nenhuma deveria depender apenas do seguro como única linha de defesa. Além disso, como já mencionado, frotas com rastreamento ativo tendem a pagar prêmios menores, porque as seguradoras reconhecem que a probabilidade de perda total é menor quando há capacidade de resposta real. O investimento no rastreamento, portanto, tem retorno parcial já na renovação do seguro.

O risco que cresce enquanto a frota cresce

O crescimento do e-commerce reconfigurou a logística urbana, trazendo mais riscos às operações de transporte e a necessidade de um olhar mais crítico para as medidas de segurança. Se a sua empresa cresceu nos últimos anos, se a frota aumentou e se o volume de entregas urbanas cresceu, a exposição ao risco de furto e roubo cresceu junto. A proteção precisa acompanhar o mesmo ritmo.

As soluções de Recuperação Veicular do Grupo Tracker foram desenvolvidas para esse cenário, com mais de 25 anos de operação, equipes de pronta-resposta em todo o Brasil, tecnologia Antijammer e mais de 58 mil recuperações realizadas. Para empresas com frota urbana que precisam de resposta ativa, não apenas de localização passiva, esse é o modelo que faz diferença.

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Fonte:

Boletim Tracker FECAP – Roubo e Furto em São Paulo (2025) — Grupo Tracker + FECAP.

Boletim Tracker FECAP – Roubo e furto de veículos utilitários e de carga leve (2026). — Grupo Tracker + FECAP.

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