Os custos para o setor de transporte rodoviário de cargas subiram, e o frete não acompanhou o mesmo ritmo. Para o gestor, isso vai além da pressão na hora da negociação, significa olhar para dentro da própria operação e entender como ele pode aumentar sua margem reduzindo perdas que acontecem no dia a dia.
Esse dinheiro que “vaza” na operação e é pouco percebido tem um nome: perda operacional. E, diferente do custo dos insumos, boa parte dele está sob o controle de quem faz a gestão de frotas no dia a dia.
Neste conteúdo, vamos mostrar onde as operações de transporte costumam perder mais dinheiro, quanto realmente isso custa para o gestor e como estancar.
O que são perdas operacionais no transporte rodoviário de cargas?
A perda operacional representa o capital desperdiçado em falhas do processo logístico. Seja por avarias no manuseio, veículos circulando sem carga, sinistros ou consumo excessivo, compreende todo recurso que sai do caixa e não gera receita operacional.
Na rotina de uma transportadora, as perdas se concentram em cinco frentes:
- Desperdício de combustível: diesel queimado além do necessário por má condução, manutenção atrasada ou motor ultrapassado.
- Ociosidade e retorno vazio: o caminhão que roda sem carga na volta ou fica parado sem faturar.
- Roubo e violação de carga: a mercadoria e, muitas vezes, o veículo perdidos para o crime.
- Sinistros e acidentes: colisões e tombamentos, com prejuízo no veículo, na carga e, no pior caso, nas pessoas.
- Avaria e extravio: a carga danificada no manuseio ou que some no caminho sem ter sido roubada.
Cada uma dessas frentes tem uma causa diferente, e é importante saber que tentar atacar todas ao mesmo tempo costuma não dar muito certo!
Perda operacional e custo alto não são a mesma coisa
Custo alto é o quanto você paga pelos insumos da operação: diesel, pedágio, salário do motorista, manutenção, pneu, seguro. Esse valor depende muito do mercado e da política de fretes, ou seja, de fatores externos que o gestor não controla sozinho. Você pode negociar melhor, comprar diesel com mais inteligência, renegociar contrato, mas o preço-base continua ditado por quem está lá fora.
A perda é o valor que a própria operação acaba perdendo no dia a dia e que, normalmente, é possível evitar com uma gestão eficiente. Mudanças e melhorias no processo de gestão costumam dar retorno muito mais rápido, porque você ataca um desperdício que já está acontecendo agora, na sua frota, com os seus caminhões.
Pense num caminhão que faz a entrega e volta vazio para a base. Ele continua gastando diesel, hora de motorista, desgaste de pneu e de motor no trajeto de volta, só que sem faturar nada nesse percurso. O custo por quilômetro daquele veículo é o mesmo, mas metade da viagem não gerou receita. Uma mudança no planejamento pode fazer com que essa parte da viagem também gere receita.
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Por que os custos crescentes tornam cada perda mais cara?
Quando o custo por quilômetro sobe, cada perda passa a valer mais, porque o valor desperdiçado agora é maior e a margem para absorver erro é menor. Um caminhão vazio sempre foi prejuízo, mas com o diesel mais caro esse mesmo trajeto vazio custa mais do que custava dois anos atrás. A conta da ineficiência acompanha a alta de preços.
E os preços subiram bastante
Segundo o ILOS, o custo logístico no Brasil chegou a 15,5% do PIB em 2025, cerca de R$ 1,96 trilhão, contra 10,4% em 2014. Traduzindo: o país gasta uma fatia cada vez maior da sua economia só para movimentar mercadoria de um ponto a outro (e quem paga essa conta na ponta é a operação de transporte).
O transporte é o principal gerador de custos na logística e, no Brasil, depende predominantemente das rodovias. De acordo com o Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas (ONTL/Infra S.A., 2026), o modal rodoviário responde por quase 70% de todo o volume de carga deslocado por distância no país e por mais de 84% do valor financeiro das mercadorias transportadas. Por isso, qualquer aumento no custo do transporte rodoviário impacta diretamente toda a cadeia logística nacional.
O frete não acompanha os custos operacionais
Segundo a pesquisa Perfil Empresarial do TRC (CNT, via IBL), 40,1% dos transportadores apontam a dificuldade de reajustar o valor do frete como um dos maiores desafios do setor. Sem margem para repassar a alta de custos ao cliente final, a única saída para preservar a rentabilidade é combater os gargalos internos.
Entenda melhor sobre cada ponto de desperdício na operação e como combatê-los:
Como reduzir o desperdício de combustível na frota?
O combustível é a maior linha de custo do transporte rodoviário, então é onde o desperdício pesa mais em reais. O diesel aparece como o item de maior dificuldade para 81,5% das transportadoras, segundo a pesquisa CNT. E ele representa de 30% a 45% do custo operacional, chegando ao topo dessa faixa em rotas longas; há estimativas que colocam esse peso perto de 50%. Cada ponto percentual de diesel economizado, portanto, aparece rápido no resultado.
Entenda para onde olhar na sua operação logística para evitar o desperdício:
Como o motorista dirige
Alguns comportamentos do motorista como aceleração brusca, excesso de velocidade e marcha lenta aumentam o consumo de combustível sem compensar. A marcha lenta é um dos maiores exemplos de desperdício de combustível em uma operação: o motor fica ligado, esvaziando o tanque, enquanto o veículo está parado.
A telemetria veicular, que é a coleta automática dos dados de condução do veículo, identifica esses hábitos e permite corrigir com o motorista antes que isso se torne uma fonte de desperdício recorrente.
Como o caminhão é mantido
As condições do caminhão também influenciam nos gastos cotidianos, pois pneu descalibrado, filtro sujo e revisão atrasada fazem o motor trabalhar mais para entregar o mesmo desempenho, e isso queima diesel extra.
Nesse caso, a manutenção preventiva é o melhor caminho, e sai muito mais barata do que a manutenção corretiva, evita esse consumo a mais e ainda preserva a vida útil do veículo. É um gasto planejado que economiza no combustível e no reparo maior lá na frente.
Qual motor está na estrada
Motores mais novos consomem menos, e a diferença não é pequena. A troca de veículos com motor Euro 5 para Euro 6, por exemplo, traz economia de diesel na faixa de 8% a 12%. Renovar a frota é uma decisão que deve ser feita com mais cautela e planejamento, mas deve ser considerada quando se pensa em consumo no médio prazo.
Nesses três pontos, o que mais importa para o gestor resolver o desperdício é ter visão sobre o quanto cada veículo está gastando e por quê. Sem esse dado, não é possível identificar e muito menos agir sobre essas falhas.
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Ociosidade e retorno vazio: o custo do caminhão sem carga
Essa é uma das perdas mais difíceis de enxergar na operação, e se refere ao caminhão rodando sem faturar ou parado, sem se mexer. E em muitas operações isso sequer é visto como perda, mas é um grande ponto de atenção!
No Brasil, estima-se que 38% dos caminhões rodem vazios, um desperdício que o setor projeta entre R$ 100 bilhões e R$ 200 bilhões por ano. No mundo, o índice é parecido, perto de 35%. E o caminhão parado pesa tanto quanto o vazio: um conjunto ocioso chega a perder algo em torno de R$ 4 mil de receita por dia sem rodar.
É possível reduzir esse vazamento em três frentes complementares:
- Roteirização inteligente: planejar as rotas para cortar quilômetro desnecessário e reduzir o tempo ocioso. A roteirização bem-feita chega a reduzir de 10% a 25% dos quilômetros por rota, o que significa menos diesel, menos desgaste e mais entregas no mesmo dia.
- Frete de retorno: aproveitar a volta com carga, o chamado backhaul, para o caminhão não voltar vazio. A parceria entre PepsiCo e Leroy Merlin, que passaram a combinar cargas nas rotas de retorno, reduziu 20% do custo de frete (além da redução de 23% nas emissões de CO2 da operação).
- Visibilidade da frota em tempo real: enxergar onde há caminhão parado ou ocioso permite reagir no mesmo dia, remanejar uma coleta, encaixar um frete de volta, tirar o veículo da fila.
Reduzir tempo de viagem e tempo parado é extrair mais receita do mesmo ativo. O caminhão já foi comprado e custa todo mês, esteja rodando com carga ou parado na fila. Transformar hora parada em hora produtiva é um ganho inteligente.
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Roubo e violação de carga: é possível controlar esse prejuízo?
Para a operação, o roubo de carga é uma perda financeira direta. Em 2025, mesmo com uma redução do número de casos de roubo de carga, o prejuízo direto ficou em torno de R$ 900 milhões, podendo passar de R$ 1 bilhão quando se somam os efeitos indiretos. Segundo dados da operação Tracker, só no estado de São Paulo, o prejuízo médio por roubo de carga subiu quase 20%.
E diferente do que se pode pensar, o roubo é um risco controlável. É aí que entra a gestão de risco: ela acompanha a viagem em tempo real e trata como sinal de alerta tudo que foge do combinado no trajeto, como um desvio de rota, uma parada em local não previsto ou a abertura do compartimento de carga fora da hora certa. Quando um desses sinais aparece, a operação recebe o aviso na hora e consegue agir antes que o problema vire prejuízo. É essa antecipação que reduz a exposição da carga e do veículo.
Sinistros e acidentes: a perda que começa na direção
O acidente é uma das perdas mais caras da operação e, ao mesmo tempo, uma das mais evitáveis, porque na maioria das vezes começa no comportamento ao volante.
Os números do Panorama do Transporte Rodoviário de Cargas (ONTL/Infra S.A., 2026, com base em dados da PRF e do IPEA) deixam a super-representação do segmento clara:
- Os veículos de carga são menos de 5% da frota nacional, mas estiveram envolvidos em 26% dos sinistros registrados nas rodovias federais em 2025.
- O custo da sinistralidade envolvendo veículos de carga somou cerca de R$ 5,9 bilhões só em 2025 e R$ 44,4 bilhões acumulados entre 2017 e 2025.
- As principais causas em 2024 foram comportamentais: reação tardia ou ineficiente do motorista, ausência de reação e velocidade incompatível com a via.
Repare no que os dados dizem: as falhas de comportamento superam de longe as mecânicas e as estruturais. Como a origem está na condução, a maior parte desse prejuízo pode ser evitada com gestão.
Reduzir sinistro passa por agir sobre quem dirige e sobre como se dirige:
- Capacitação e política de direção segura: o motorista precisa saber o que a empresa espera dele na estrada, e a empresa precisa reforçar isso de forma constante, em vez de cobrar só depois que algo dá errado.
- Identificação de motorista: saber quem está de fato conduzindo cada veículo e com que padrão de direção. Sem isso, o feedback não é direcionado, e pode se tornar ineficaz para mudar o comportamento.
- Telemetria em tempo real: acompanhar velocidade e condução enquanto a viagem acontece, o que permite agir sobre um excesso de velocidade ou uma sequência de frenagens bruscas antes que virem multa de trânsito ou colisão.
Quanto mais cedo o gestor enxerga um padrão perigoso de direção, mais cedo ele corrige, e mais barato sai. Agir sobre um desvio de condução quando ele aparece custa uma orientação ao motorista; deixar o padrão seguir até o acidente custa o veículo, a carga e, muitas vezes, a segurança de quem está na estrada.
Avaria e extravio: perdas do manuseio e da falta de visibilidade
Depois do roubo e do acidente, vêm as perdas que acontecem com a mercadoria em si sem envolver crime nem colisão: a avaria, que é o dano físico à carga, e o extravio, que é o sumiço da mercadoria no caminho.
As principais causas são:
- Embalagem e acondicionamento inadequados: carga mal embalada ou mal fixada sofre no trajeto, especialmente quando a estrada está em más condições.
- Manuseio no carrego e no descarrego: boa parte da avaria acontece nesses dois momentos, com um empilhamento errado, quedas ou equipamentos que acabam furando os volumes.
- Veículo sem estrutura para o tipo de carga: transportar produto sensível em veículo inadequado aumenta significativamente a chance da mercadoria chegar comprometida.
- Falta de rastreabilidade: quando não se sabe por onde a carga passou, fica impossível descobrir onde ela se perdeu.
A primeira barreira contra a avaria é básica e barata: unitização e embalagem correta. Agrupar e proteger a carga de forma adequada reduz a chance dessa carga sofrer danos durante o trajeto. Já para as cargas sensíveis, como alimentos, medicamentos e produtos químicos, é necessário transportar com controle de temperatura e conformidade com regras específicas. E nesse caso, o custo da inconformidade é ainda maior, porque em caso de falha, a perda costuma ser total porque o produto todo é condenado.
Nessa frente, a rastreabilidade é indispensável. Um estudo sobre risco de perda de carga no transporte rodoviário, publicado na revista Safety (MDPI), aponta como principais causas de perda:
- Fatores humanos
- Falhas operacionais
- Ausência de monitoramento
A falta de visibilidade aumenta o tempo de exposição ao risco e reduz a capacidade de resposta.
Como o monitoramento em tempo real reduz perdas na operação
Todas as perdas mencionadas aqui têm um inimigo em comum: o tempo entre o problema acontecer e alguém perceber. Quanto maior esse intervalo, maior o prejuízo. É por isso que o monitoramento em tempo real é uma das estratégias mais importantes para gestores logísticos, ele reduz esse intervalo, pois oferece uma visibilidade ampla sobre a operação.
O monitoramento de frota dá ao gestor o controle completo da operação. Ele acompanha a localização e o deslocamento da frota em tempo real, enxerga rotas, paradas e consumo, e recebe alertas que permitem agir no momento certo. É essa visão contínua que permite prevenir todas essas perdas na operação.
É nessa frente que a Gestão Logística do Grupo Tracker apoia o gestor, devolvendo controle e produtividade à operação, com foco em reduzir custo e perda.
Sua operação está sofrendo com custos excessivos no fim do mês? Entre em contato com o time Tracker e entenda como nossa tecnologia de ponta pode transformar sua operação logística.