Segundo o Boletim Tracker FECAP, produzido pela FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) em parceria com o Grupo Tracker, os crimes de roubo e furto envolvendo veículos de carga registraram queda em 2025 no Estado de São Paulo. As ocorrências com caminhões recuaram 15,6%, enquanto caminhões-tratores e semirreboques apresentaram reduções de 19,6% e 21,3%, respectivamente.
Apesar da redução nas ocorrências, o prejuízo médio por roubo de carga aumentou 19,6%, passando de R$ 89,9 mil em 2024 para R$ 107,5 mil em 2025. O resultado indica que, embora os crimes tenham se tornado menos frequentes, as organizações criminosas passaram a concentrar suas ações em cargas de maior valor, com operações mais planejadas e deslocamento para corredores logísticos e municípios do entorno da capital.
O cenário em 2025: queda nos números, não no risco
Em 2025, os índices de roubo (Art. 157) e furto (Art. 155) apresentaram redução significativa em ambas as categorias de veículos pesados:
- Caminhão: O número de ocorrências caiu de 112 em 2024 para 939 em 2025, uma redução de 15,6%.
- Caminhão-trator: Os registros caíram de 729 para 586, representando uma queda de 19,6%.
- Semi-reboque: O número de ocorrências registrados caiu de 525 em 2024 para 412 em 2025, uma redução percentual de 21,3%.
Ainda em 2025, foram registradas 4.159 ocorrências com carga no estado de São Paulo, contra 5.530 em 2024.
Leia também: os 10 modelos de caminhões mais roubados em 2025.
Entenda o que está por trás dessa queda
O valor total das cargas roubadas recuou apenas 9,1%, de R$ 405,1 milhões para R$ 368,1 milhões, uma distância muito menor do que a redução nas ocorrências sugeriria. Três indicadores explicam por quê:
- A participação de roubos de cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão mais que dobrou no período.
- Em 57,9% das ocorrências havia duas ou mais pessoas envolvidas (contra 53,1% em 2024)
- As quadrilhas passaram a priorizar cargas de maior retorno financeiro e operações mais coordenadas
De acordo com os dados do 1º trimestre de 2026, houve queda de 30,2% nas ocorrências de roubo de cargas em relação ao mesmo período de 2025, reforçando a tendência de redução observada desde 2024.
Ao mesmo tempo, o estudo identifica uma mudança no perfil das cargas mais visadas. Os alimentos passaram a representar 38,4% das ocorrências no primeiro trimestre de 2026, frente a 27,3% em 2024.
O gestor de frota precisa estar atento a esses dados, não atuar apenas com base na redução do número de boletins de ocorrência, mas estar ciente de que os dados sugerem uma reorganização da dinâmica do crime. Agora, as quadrilhas passaram a buscar alvos com maior liquidez no mercado informal, e atuam cada vez mais em regiões com menor monitoramento, segundo a avaliação dos especialistas.
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Roubo de carga em São Paulo: onde ocorre e como os criminosos agem
O roubo de carga em São Paulo ainda se concentra na capital e na região metropolitana, mas vem se deslocando para o entorno e para as rodovias.
Cidades com mais ocorrências de roubo de carga em 2025
As cinco cidades com maior volume de roubo e furto de carga no estado:
- São Paulo (capital):905 casos
- Guarulhos: 294 casos
- Osasco: 141 casos
- Itapecerica da Serra: 106 casos
- Cotia: 97 casos
O total no estado caiu cerca de 25% na comparação com 2024, e a capital recuou 24%. A queda, porém, esconde uma redistribuição. Enquanto os grandes centros perdem casos, municípios ligados aos corredores logísticos ganham peso, com destaque para Itapecerica da Serra, que teve alta de 47,2%, além de Cotia (+24,4%) e Juquitiba (+30,2%). Segundo Vitor Corrêa, gerente de Comando e Monitoramento do Grupo Tracker, são cidades cortadas por rodovias como a Régis Bittencourt e a Raposo Tavares, onde a fiscalização eletrônica é menos densa e a rota do caminhão fica mais previsível para quem planeja a ação.
Bairros mais afetados na capital
Dentro de São Paulo, as ocorrências se concentram na periferia:
- Capão Redondo: 54 casos
- Vila Maria: 53 casos
- Grajaú: 46 casos
O movimento por trás desse ranking importa mais que a ordem. Bairros que historicamente lideravam, como Grajaú e Vila Maria, registraram quedas fortes de –57,4% e –30,3% respectivamente, enquanto Capão Redondo cresceu 35%. Erivaldo Vieira, pesquisador da FECAP responsável pelo estudo, descreve uma fragmentação das ocorrências, que se espalham por mais regiões e tornam o padrão espacial menos previsível para o monitoramento.
Como o crime acontece?
A forma de atuação das quadrilhas ajuda a explicar a mudança no perfil do crime. Em quase 80% dos roubos de carga, o motorista é mantido sob o controle dos criminosos. Em 2024, esse índice era de 74,8%; em 2025, subiu para 78,4%. Vitor Corrêa explica o objetivo dessa estratégia: “Essa prática permite maior controle da operação, reduzindo riscos de reação imediata, dificultando o rastreamento e aumentando a probabilidade de sucesso na subtração da carga.”
Dessa forma, o motorista fica impedido de acionar sistemas de segurança justamente quando isso seria mais necessário. Isso torna crítico ter uma solução que opere de forma independente da ação humana durante o evento.
A maior parte das ocorrências se concentra de terça a sexta-feira, nas manhãs e tardes, quando a circulação de carga é mais intensa. No crime contra o veículo em si o quadro é outro, já que o furto sem violência ainda responde por uma fatia relevante, sobretudo em caminhões estacionados.
Interceptações em movimento crescem
As abordagens de caminhões em plena circulação, enquanto o veículo está em trânsito, cresceram de 28,59% em 2025 para 30,5% no 1º trimestre de 2026. Essa tendência, apontada pelo Boletim, indica uma atuação das quadrilhas focada na etapa de transporte, quando há maior previsibilidade de rotas e volumes e menor dependência de situações oportunistas como paradas ou descanso.
Ao mesmo tempo, o furto avança como modalidade: passou de 11,3% em 2025 para 14,1% das ocorrências com carga no 1T2026, reforçando o deslocamento para práticas de menor risco e menor exposição.
Menos ocorrências, prejuízo maior por evento
Mesmo com a queda no número de roubos, o prejuízo médio por ocorrência subiu 19,6% em 2025, de R$ 89,9 mil para R$ 107,5 mil. Para Erivaldo Vieira, o dado aponta uma operação mais seletiva, voltada para cargas de maior valor. Houve menos roubos, mas cada um saiu mais caro, o que pressiona diretamente o custo de risco das operações de transporte.
As cargas mais visadas
A escolha das cargas reflete a lógica do escoamento no mercado informal. Os alimentos lideram com 38,4% das ocorrências no 1T2026. Eletroeletrônicos e produtos farmacêuticos apresentam crescimento gradual, com destaque para medicamentos de alto valor agregado.
Principais produtos mais visados:
| Tipo de Carga | 2025 (%) | 1º Trim. 2026 (%) |
| Alimentos | 31,71% | 38,40% |
| Outros tipos | 23,52% | 21,36% |
| Carga mista | 9,09% | 10,00% |
| Eletroeletrônicos | 3,68% | 4,94% |
Para Erivaldo Vieira, “esse movimento indica uma migração para cargas de maior valor e operações mais seletivas, combinando menor frequência com maior retorno financeiro.”
Tendência de deslocamento e especialização
Os especialistas apontam que a criminalidade parece ter se deslocado de áreas centrais para regiões com menor monitoramento e corredores logísticos, acompanhando a redistribuição geográfica observada no estudo. Segundo Erivaldo Vieira, o crime permanece “fortemente enraizado nos grandes centros logísticos e demográficos”, mesmo quando os índices gerais recuam.
Para caminhões e caminhões-tratores especificamente, a concentração segue a lógica das rotas de transporte. Como aponta Vitor Corrêa, “as ocorrências sempre aparecem próximas de rotas de transporte de carga e zonas industriais.”
Como se proteger: o papel do rastreamento e da tecnologia
O crime está mais organizado e adota estratégias para reduzir a capacidade de reação das vítimas e das operações de transporte. A retenção do motorista em quase 80% dos casos, as interceptações em movimento crescentes e o uso de bloqueadores de sinal (jammers, dispositivos bloqueiam o sinal GPS interferindo na comunicação dos dispositivos de rastreamento) compõem o mesmo padrão: quadrilhas que adaptam suas estratégias para explorar vulnerabilidades das operações logísticas e dos sistemas de segurança.
Essa realidade muda o cenário do que uma solução de rastreamento e recuperação precisa entregar. Em situações em que o motorista é mantido sob o controle dos criminosos, depender exclusivamente do acionamento manual pode comprometer a velocidade da resposta. Por isso, soluções que incorporam mecanismos automáticos de detecção e acionamento, aliados à atuação do motorista e da central de monitoramento, agregam uma camada adicional de proteção à operação.
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A proteção do Grupo Tracker em cada etapa de uma ocorrência
A estrutura de soluções do Grupo Tracker foi desenhada para atuar em todos os momentos de uma ocorrência: na antecipação do risco, na reação durante o evento e na recuperação depois do roubo.
Entenda como funciona:
Antes: inteligência que antecipa o risco
A Inteligência COG (Centro de Operações do Grupo Tracker) reúne 25 anos de histórico de dados e mapeamento do crime organizado. Esse acervo permite antecipar padrões de risco e acelerar a resposta quando uma ocorrência começa, em vez de reagir do zero a cada chamada.
Durante: ação no momento do roubo
Quando a abordagem acontece, dois recursos entram em ação ao mesmo tempo:
- O sistema antijammer detecta tentativas de bloqueio do sinal, uma tática comum nesse tipo de crime, e alerta a central em tempo real.
- Em paralelo, o Tracker Imobilizador permite agir sobre o próprio veículo durante o evento.
O Tracker Imobilizador é uma camada adicional de proteção que imobiliza o caminhão de forma progressiva ao identificar sinais de ameaça. O bloqueio é acionado por gatilhos como a detecção de jammer, a perda de comunicação do rastreador, a violação do painel ou uma partida suspeita. O desbloqueio pode ser feito pelo próprio gestor, via aplicativo, plataforma ou de forma automática após duas horas. Isso garante autonomia e total controle do operador sobre sua operação, minimizando problemas causados por bloqueio indevido.
Depois: recuperação com pronta resposta
Se o veículo chega a ser levado, entra a etapa de recuperação. A Rede Mesh converte os dispositivos instalados nos veículos em uma rede inteligente de antenas, o que amplia a cobertura mesmo em áreas com sinal degradado, e a frequência exclusiva garante transmissão estável durante o rastreamento.
A Solução de Recuperação Veicular Tracker conta com mais de 80 equipes terrestres e 6 equipes aéreas de pronta resposta distribuídas pelo Brasil, coordenadas pela Inteligência COG em parceria com as principais autoridades do país.
Independentemente da região de atuação, proteger a frota exige uma estrutura capaz de acompanhar as três etapas de uma ocorrência. Em um cenário de organizações criminosas mais seletivas e operações mais planejadas, combinar inteligência, tecnologia e pronta resposta torna-se essencial para reduzir riscos e minimizar perdas.
Entre em contato com nosso time e proteja sua frota.
Fontes:
Tracker – FECAP. Roubo e furto em São Paulo. 2026.